09/06/2026

Festival vai celebrar tambor de crioula e saberes quilombolas em São Luís

Evento reunirá apresentações culturais, seminário, oficinas e rodas de conversa para fortalecer a política nacional de salvaguarda do patrimônio cultural maranhense.

SÃO LUÍS – A capital maranhense vai receber, entre 15 e 19 de junho, o Arte Nossa Festival, uma grande ação de valorização, preservação e fortalecimento do Tambor de Crioula do Maranhão, patrimônio cultural imaterial do Brasil. O evento promoverá o encontro entre grupos da capital e de comunidades quilombolas do interior do estado, como das cidades de Anajatuba, Rosário, Mirinzal, Cajapió e Santa Rita., reunindo apresentações culturais, atividades formativas e espaços de troca de saberes ancestrais.

Idealizado e coordenado por Simei Dantas, o festival nasceu com o propósito de fortalecer a Política Nacional de Salvaguarda do Tambor de Crioula e ampliar o reconhecimento das diversas formas de expressão dessa manifestação afro-brasileira, contribuindo para a continuidade dos saberes tradicionais entre as novas gerações.

Ancestralidade, identidade e preservação cultural

Mais do que um evento cultural, o Arte Nossa Festival – uma realização do Tambor de Crioula Arte Nossa e do Ministério da Cultura, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet – será um momento de reafirmar o compromisso com a preservação dos saberes ancestrais, a valorização das comunidades quilombolas e o fortalecimento do patrimônio cultural maranhense.

O ponto alto do Festival, ao longo dos cinco dias, serão as apresentações de grupos de tambor de crioula oriundos de diferentes regiões do Maranhão, além de manifestações tradicionais da cultura popular maranhense e atrações musicais que dialogam com a identidade cultural do estado.

Ao destacar a importância da iniciativa, Simei Dantas ressaltou que o festival surge como um instrumento de fortalecimento da política de salvaguarda.

“Muito se fala sobre cultura maranhense e a força da ancestralidade africana nas suas manifestações, quando se refere aos povos tradicionais, originários e/ou quilombolas, sem o devido conhecimento e, principalmente, sem ouvir a voz destas pessoas e suas realidades de construção do conhecimento, da transmissão oral de saberes e das vivências seculares construídas na adversidade, vislumbrando possibilidades de trocas, engajamento e beneficiamento para os territórios quilombolas. O Arte Nossa Festival partiu dessa percepção”, resume a idealizadora do Festival.

Simei destaca que “o evento será um encontro inédito que reunirá 15 grupos de Tambor de Crioula, remanescente de territórios quilombolas, na capital do Maranhão, São Luís, oferecendo formação, troca de saberes, rodas de conversas, apresentações artísticas nas interações entre mestres/as, grupos e o público em geral”.

Formação, diálogo e fortalecimento dos territórios quilombolas

Além das apresentações culturais, o Arte Nossa Festival investe na formação e no compartilhamento de conhecimentos por meio de seminário, oficinas e rodas de conversa – incluindo jovens de escolas públicas – voltadas para temas relacionados à salvaguarda do patrimônio cultural, políticas públicas, cultura quilombola, educação, direitos e valorização das tradições populares.

As atividades formativas reúnem pesquisadores, gestores culturais, mestres e mestras da cultura popular e representantes de comunidades quilombolas, promovendo um ambiente de diálogo e construção coletiva sobre os desafios e perspectivas da preservação do patrimônio imaterial.

A programação inclui ainda oficinas práticas de canto, dança e toques do tambor de crioula, além de rodas de conversa sobre experiências quilombolas e diferentes formas de expressão da manifestação cultural no Maranhão.