21/04/2024
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Igreja de Nossa Senhora da Vitória começou a ser construída em 1620 e tronou-se Igreja da Sé após expulsão dos jesuítas

Promessa que se tornou catedral de São Luís
Jock Dean
Da equipe de O Estado do Maranhão
05/04/2015 00h01
Cerca de 10 anos após sua fundação, São Luís viveu um surto de varíola. Hoje, a doença é considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas no século XVII, sem vacina, o vírus era mortal. Para proteger a população da cidade, à época estimada em 300 almas, o capitão-mor Domingos da Costa Machado fez uma promessa à Santíssima Virgem, mandando construir a Igreja de Nossa Senhora da Vitória. De pagamento de promessa a Catedral Metropolitana de São Luís, o templo mantém sua tradição diante das diversas reformas que sofreu.
O surto de varíola não dizimou a população, mas interpretando os fatos históricos com a mesma percepção que Domingos da Costa Machado teve sobre a epidemia, não seria estranho dizer que Deus não ficou de todo satisfeito com o pagamento da promessa, visto que, ao longo dos quatro séculos de fundação da cidade, foram constantes os pedidos para restauração e construção de um novo templo dedicado a Nossa Senhora da Vitória.

Em 1713, tramitou no Senado da Câmara de São Luís uma petição do padre vigário da matriz da Sé, informando as péssimas condições materiais daquele templo, onde os paramentos e demais ornamentos necessários para o culto divino eram ainda os mesmos trazidos em 1680 por dom Gregório dos Anjos, primeiro bispo do Maranhão. Ainda em 1718, mandou El-Rei de Portugal que se reconstruísse a Sé, aplicando o produto da venda de 200 índios, o que possivelmente não ocorreu, visto que em 1720 o bispo D. José Delgarte pedia a reconstrução da Matriz, pois o templo existente estava ameaçado de ruir, às escuras e imundo, sem capacidade nem alfaias para as funções episcopais.
Em 1768, ocorreu uma das mais significativas reformas na catedral, que anos antes tinha passado a funcionar na antiga Igreja de Nossa Senhora da Luz, já que a então Igreja de Nossa Senhora da Vitória havia sido demolida por causa do seu estado precário de conservação. Essa reforma ocorreu para adaptar a Igreja da Luz à condição de Sé Catedral. Dessa documenta-se apenas a ampliação da capela-mor para dar lugar aos ofícios de coro e pontificais, mas é provável que ainda no século XVIII outras intervenções tenham ocorrido.
A história de reconstruções, reformas e restaurações da Igreja de Nossa Senhora da Vitória inclui ainda um episódio ligado à queda de um raio na torre dos sinos em abril de 1849. D. Manuel Joaquim da Silveira, bispo do Maranhão, determinou, então, a mudança do Cabido para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, fechando a catedral para reforma, sendo reaberta em 1854. A última restauração feita no templo foi em 2013/2014, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), quando o Museu de Arte Sacra do Maranhão foi instalado no Palácio Episcopal, que funciona em prédio anexo à catedral.
Estilo – Tantas reformas alteram suas feições arquitetônicas. Uma das mais marcantes delas foi a ocorrida em 1922, quando foi construída uma segunda torre e remodelação da fachada no estilo neoclássico, opondo-se ao antigo, que era no estilo barroco. Durante a obra, a catedral foi separada do Palácio Episcopal com a demolição de um consistório e as salas de reuniões do Cabido (atualmente, um pequeno jardim de inverno). Também houve a colocação da imagem de Nossa Senhora da Vitória no frontão do templo, obra do escultor português Joaquim Pereira da Costa.
As intervenções feitas, sobretudo ao longo dos séculos XIX e XX “alteraram-lhe o interior e a fachada e acrescentaram-lhe compartimentos internos, transformando-a em uma igreja complexa, do ponto de vista estilístico, em decorrência das diversas transformações e inserções ocorridas que a transformaram em um agrupamento confuso, ao qual se tentou dar uma unidade artística, no final da primeira metade deste século, através de uma pintura profusa e policromática, bem ao gosto da época, que acabou por esconder de vez a maior parte dos elementos de valor artístico individualizado, perdidos e mal adaptados a um contexto estilístico estranho, embora tenha em alguns momentos, esta tentativa de harmonia, cumprido o seu papel, como no caso das pinturas dos forros, que, vazios, deixariam um claro melancólico no amplo espaço interno do templo”, conforme consta na publicação Arquitetura e Arte Religiosa no Maranhão (2008).

Saiba mais

De Nossa Senhora da Luz para Nossa Senhora da Vitória – Em 1622, chegou ao Maranhão a primeira missão definitiva da Companhia de Jesus, estabelecendo-se em São Luís em 1627, por meio dos padres Luís Figueira e Benedito Amodei. Em 1622, tem início a construção do Colégio e Igreja e Nossa Senhora da Luz pelo padre Luís Figueira. O colégio constituía-se de um único corredor de pedra e cal, alinhado com o Rio Anil e com as muralhas da cidade, tendo ao lado a primeira Igreja de Nossa Senhora da Luz, também em pedra e cal. Por volta de 1690, iniciam-se a construção da nova Igreja de Nossa Senhora da Luz, inaugurada solenemente em 1699. Por volta de 1761, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória é demolida e o Colégio dos Jesuítas e sua Igreja de Nossa Senhora da Luz foram destinados a ser o Palácio dos Bispos e Catedral de Nossa Senhora da Vitória, respectivamente. Uma vez instituída Catedral de São Luís, a Igreja de Nossa Senhora da Luz tomou o orago de Nossa Senhora da Vitória, servindo como Sé até hoje.
Silhar de azulejos – Principal símbolo da arquitetura de São Luís, os azulejos também estão presentes na Catedral Metropolitana da Cidade. Na parede de acesso ao antigo consistório da catedral há um silhar de azulejo português fabricado em Lisboa no período compreendido entre 1790 e 1805. Trata-se de painéis emoldurados, policromados, nas cores amarelo ocre, manganês escuro/avinhado, verde azeitona e azul acinzentado, com cercaduras relativamente simples, completados por rodapés com efeito marmorizado.
Sé?! – Popularmente chamada Igreja da Sé, a Catedral Metropolitana de São Luís é a Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Catedral ou Sé é o templo cristão em que se encontra a sede de um bispo e uma diocese, com seu cabido. O termo catedral deriva do latim cátedra, cadeira de espaldar alto em que se senta um bispo. Em português, utiliza-se ainda o termo Sé Catedral – ou apenas “sé” – para designar uma catedral, sendo esta designação derivada da palavra “sede”. O adjetivo catedral foi ao longo dos tempos assumindo o caráter de substantivo, e é hoje o termo mais comumente utilizado para designar estas igrejas. De acordo com o título dos prelados à frente da catedral, esta pode ser denominada catedral episcopal, metropolitana, patriarcal ou primada. Catedral Metropolitana é uma catedral à qual as outras catedrais de determinada província são sufragâneas. No caso da Catedral Metropolitana de São Luís, são sufragâneas Bacabal, Balsas, Brejo, Carolina, Caxias, Coroatá, Grajaú, Imperatriz, Pinheiro, Viana e Zé Doca.
Apesar do grande valor religioso, igreja começa a perder importância
Local é palco de grandes celebrações religiosas, como casamentos e batizados, mas tem perdido sua importância ao longo do tempo
05/04/2015 00h00
Foto: Paulo Soares
Retábulo-mor da Igreja de Nossa Senhora da Vitória

A Igreja de Nossa Senhora da Vitória, Catedral Metropolitana de São Luís, tem importância histórica, monumental e religiosa para a cidade. Seus altares e coleção de arte sacra destacam a função que o templo teve ao longo dos séculos para capitanear o desenvolvimento da fé católica na cidade. O local é palco de grandes celebrações religiosas, como casamentos e batizados, mas tem perdido sua importância ao longo do tempo.
Quem trata da importância religiosa da igreja é o arcebispo de São Luís, dom José Belisário da Silva, que está há 10 anos à frente do Palácio Episcopal. “Essa igreja tem uma importância histórica e de ser a Sé de São Luís. Mas não podemos esquecer o fato de o Centro Histórico ter perdido sua importância social e econômica, influenciando a igreja. Hoje, a Sé não tem uma comunidade. Seus frequentadores são pessoas que têm certa ligação de amizade, de pertença, que vêm de outros lugares para a Sé”, afirmou o arcebispo.
Apesar de não ter uma comunidade própria, diferentemente de grandes outras igrejas de São Luís, como a Nossa Senhora de Nazaré, no Cohatrac, a Sé continua sendo o palco principal das grandes celebrações católicas da cidade. Nesse período de Semana Santa, ela recebeu a Missa dos Santos Óleos, do Lava-Pés, a Via Sacra a Missa da Sexta-Feira da Paixão do Senhor e a Procissão do Senhor Morto.
Monumentos – Entre os diversos monumentos religiosos da catedral, ele destaca a imponência do retábulo-mor da igreja, que foi tombado isoladamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1954. Datado do século XVIII, constitui-se uma das melhores obras de talha existentes em São Luís. Nele, estão duas imagens: uma de São Pedro e outra de São Luís, em homenagem ao Rei de França. Tem ainda uma série de símbolos alusivos à Virgem Maria. O desenho do retábulo-mor é de autoria do padre Felipe Bertendorf. A execução ficou a cargo do entalhador português Manoel Manços.
Em meio aos monumentos religiosos que integram o conjunto arquitetônico da Igreja da Sé, um em especial provoca a curiosidade dos visitantes, o retábulo lateral. Essa capela passou por duas modificações em sua invocação. Entre 1699 e 1760, foi o altar de São Braz. No ano de 1768, na grande reforma para adequar a antiga igreja dos jesuítas às novas funções de catedral, esse altar tornou-se a Capela do Santíssimo Sacramento. Mas entre os diversos detalhes que chamam atenção estão os símbolos maçons presentes em seu entalhamento.
Além dos altares, a própria invocação da igreja guarda a história da sua importância religiosa para São Luís. Segundo a tradição portuguesa, durante a Batalha de Guaxenduba, quando os franceses foram expulsos da cidade, Nossa Senhora da Vitória teria ajudado o exército português, que estava em desvantagem numérica em relação ao francês. A santa surgiu na Praia de Santa Maria de Guaxenduba e transformou areia em pólvora, dando a vitória ao povo lusitano, possibilitando a São Luís ter o maior conjunto de azulejaria portuguesa da América Latina e os traços que possui hoje.
Linha do tempo da Igreja de Nossa Senhora da Vitória
1617 – Chegada dos primeiros jesuítas a São Luís: padre Francisco Pinto e Luís Figueira;
1620/1621 – Em pagamento de promessa feita à Santíssima Virgem para que livrasse a cidade da epidemia de varíola que estava dizimando a população, estimada em 300 almas, o capitão-mor Diogo da Costa Machado edifica, à sua custa, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória, a 20 palmos da Igreja Nossa Senhora da Luz;
1622 – Início da construção do Colégio e Igreja e Nossa Senhora da Luz pelo padre Luís Figueira;
1674 – Reformas no Colégio de Nossa Senhora da Luz, sendo levantadas as paredes do corredor norte, coberto de telhas, refeitas as janelas em dimensões iguais, mudadas as portas das celas e aplainadas as paredes;
1677 – Criação da Diocese do Maranhão por meio da Bula Super universas do papa Inocêncio XI;
1699 – Inauguração solene da nova igreja jesuíta de Nossa Senhora da Luz;
1720 – O bispo D. José Delgarte pedia a reconstrução da Matriz, pois o templo existente encontrava-se ameaçado de ruir, às escuras e imundo, sem capacidade nem alfaias para as funções episcopais;
1756/1757 – O Cabido Eclesiástico pedia a reconstrução da Matriz que estava em processo de arruinamento;
1759 – Expulsão dos Jesuítas de todo o reino português e seus domínios;
1761 – Demolição da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória. O Colégio dos Jesuítas e sua Igreja de Nossa Senhora da Luz foram destinados a ser o Palácio dos Bispos e Catedral de Nossa Senhora da Vitória, respectivamente;
1763 – A Sé antiga, em estado precário, foi demolida por iniciativa do governador Joaquim de Melo e Póvoas;
1769 – Para adaptar a igreja jesuíta aos serviços de catedral, o Cabido mandou ampliar a capela-mor para dar lugar aos ofícios em coro e pontificais;
1827 – Reforma na sacristia da Catedral, que servia como capela dos pontificais;
1829 – Conselho Geral da Província passa a funcionar nas dependências do consistório da Sé, cedido pelo Cabido em caráter temporário;
1849/1852 – O cônego José Antônio da Costa escreve a D. Manuel Joaquim da Silveira relatando o estado de ruína do Paço Episcopal: com sua cobertura toda comprometida com goteiras, o mesmo acontecendo na Catedral em decorrência de um raio que caiu na torre dos sinos em abril de 1849. D. Manuel determinou a mudança do Cabido para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, fechando a catedral para reforma;
1854 – O bispo D. Manuel Joaquim da Silveira celebrou solenidades na catedral já restaurada. Foram recuperados, além do telhado, as pinturas internas, inclusive todo o dourado do altar-mor. Início da reconstrução do Palácio Episcopal;
1869 – Reforma no assoalho da catedral e colocação do encanamento para luz de gás hidrogênio;
1876 – Documento do arcediago Tavares, ao ministro Antônio Cunha e Figueira, relata o estado deplorável da catedral e solicita reparos urgentes no teto, no retábulo e nos altares que estavam carcomidos por cupins, quebrados e com perda de douramento;
1878 – Em relatório, o bispo D. Antônio Alvarenga reclama ao ministro Carlos Leôncio do péssimo estado da Catedral, que necessitava de reparos urgentes, já que o forro ameaçava desabar;
1882 – O cônego Raimundo Lusitano Fernandez comunicava por carta que o teto da varanda do lado direito da Catedral, desde a frente, onde estava o coro, até a Capela de Nossa Senhora da Conceição, estava arruinado, com o madeiramento todo podre. O forro também estava arruinado;
1883/1886 – Parte do telhado da catedral desaba. Início da obra de reforma, passando a Sé a funcionar na Igreja de Nossa Senhora do Rosário;
1884 – O Conselho Geral da Província devolve o consistório que ocupava na catedral;
1921/1922 – No dia 2 de dezembro, por meio de decreto da Sagrada Congregação Consistorial, foi elevada a Arquidiocese e a 10 de fevereiro, pela bula Rationi congruit de Pio XI, a sede metropolitana;
1922 – Construção da nova torre da catedral e remodelação da fachada no estilo neoclássico. Durante a obra, a catedral foi separada do Palácio Episcopal com a demolição de um consistório e as salas de reuniões do Cabido (atualmente um pequeno jardim de inverno). Colocação da imagem de Nossa Senhora da Vitória no frontão do templo, obra do escultor português Joaquim Pereira da Costa;
1927/1930 – D. Otaviano Pereira de Albuquerque troca o piso de madeira da nave da catedral por ladrilho hidráulico. Pintura do forro da capela-mor, realizada pelo artista maranhense João de Deus;
1931 – Substituição do órgão por ótimo harmônio, também francês, com dois teclados e numerosos jogos;
1948 – D. Adalberto Sobral promove reforma na catedral;
1951 – Restauração da cobertura da capela-mor e nave da catedral, totalmente substituída por madeira de lei, e elevação do nível do telhado para melhor conservação do forro;
1954 – O retábulo-mor datado de 1699, no estilo nacional português, de autoria do padre jesuíta Felipe Bettendorf, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan);
1956 – Pintura do forro, promovida pelo vigário Porcínio Costa e realizada pelo pintor maranhense João de Deus, que restaurou a pintura realizada em 1927 e inseriu novas obras;
1959 – Restauração do altar-mor realizada pelo Iphan, sob a orientação do restaurador professor Edson Mota e dois outros mestres. O professor Edson Mota e o monsenhor Frederico Chaves concluem a restauração do douramento e da delicada decoração dos altares e das janelas, iniciadas pelo padre Porcínio Costa;
1974/1977 – Restauração do teto, pintura, rebocos e talhas dos altares da catedral;
1980 – Restauração da parte externa da catedral;
1986 – Obras de conservação no telhado da catedral;
1987/1988 – Obras de restauração da catedral;
1991 – Pintura total do edifício da catedral;
1993/1996 – O Iphan restaura o altar-mor;
1996 – Início da obra de restauração da catedral e do Palácio Arquiepiscopal promovida pelo Governo do Estado, com recursos do Ministério da Cultura;
1997 – Restauração do retábulo-mor e das imagens de Nosso Senhor Ressuscitado e Cristo Crucificado em marfim, promovida pelo Iphan;
2007 – Restauração do Silhar de Azulejos portugueses da escada da ala lateral;
2013/2014 – Restauração da catedral e do Palácio Arquiepiscopal.
Programação
Missas do Domingo de Páscoa nas principais igrejas de São Luís
Catedral da Sé
10h – Missa alusiva à Páscoa
17h30 – Missa em homenagem à Páscoa
Igreja de Santo Antônio
8h – Celebração da Ressurreição
Igreja de Nossa Senhora
de Nazaré
6h30 – Missa
19h – Missa
Santuário de Nossa Senhora da Conceição
6h – Procissão da Ressurreição
7h; 9h; e 18h – Missas
Santuário de São José
de Ribamar
6h; 7h30; 8h30; 11h; 17h; e 18h30 – Missas
10h – Batismos

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