19/04/2024
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Sarney consegue vetar, mais uma vez, Dino na Embratur

POR OSWALDO VIVIANI

O presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), em parceria com o líder peemedebista na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), conseguiu sustar mais uma vez a ida de Flávio Dino (PC do B-MA) para a presidência do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). A informação foi publicada na edição de hoje (16) do jornal Folha de S. Paulo (seção “Painel”).

A nomeação de Dino para a estatal tem sido vetada sistematicamente por Sarney. No entanto, era dada como certa há dois dias pela imprensa nacional, que garantia que o vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) – que mantém ótimas relações com Flávio Dino – havia conseguido “amolecer” Sarney.

Isso, porém, não aconteceu. Em meio ao clima de insatisfação peemedebista, criado por nomeações para o segundo escalão do governo Dilma Rousseff, em que nomes do PMDB foram preteridos pelos do PT, sobrou para Dino e o PC do B.

Além do conhecido apetite dos caciques peemedebistas por cargos, outra circunstância que também explica o veto de Sarney a Flávio Dino é o fato de o comunista ter se tornado o adversário mais temido pelos sarneysistas no pleito estadual de 2014 – desde que ficou em segundo lugar nas eleições de 2010, nas quais faltou pouco para chegar ao segundo turno com Roseana Sarney (PMDB).

Não resta dúvida de que a estratégia de José Sarney é evitar a todo custo o fortalecimento do poder de fogo eleitoral de Flávio Dino num cargo federal. E embora a Embratur tenha se tornado o “patinho feio” do mundo político, com seu orçamento minguado (para os políticos, esclareça-se…) de R$ 180 milhões, vai ter papel preponderante, nos próximos anos, divulgando no Exterior dois eventos importantíssimos que acontecem no Brasil: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Essas vitrines certamente dariam visibilidade ao comunista, no Maranhão e nacionalmente. Tudo o que Sarney não quer.

A ida de Flávio Dino para a Secretaria Nacional de Reforma do Judiciário, ligada ao Ministério da Justiça, foi igualmente vetada por José Sarney recentemente. De nada adiantou o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso expressar a vários interlocutores sua intenção de ter Dino por perto. A vontade de Sarney prevaleceu.

Um outro cargo – de assessor jurídico do vice-presidente da República – também foi oferecido por Michel Temer a Flávio Dino no início do ano. A oferta não teve a reprovação de Sarney, mas neste caso foi Dino que não aceitou. O comunista avaliou que o fato de ser a Vice-presidência uma seara marcadamente partidária, ou seja, peemedebista, isso lhe imporia obstáculos para que atuasse ali com desenvoltura. O cargo está vago até hoje.

A estatal que ninguém quer

Criada em 1966 pelo governo militar para gerir o turismo, a Embratur tem orçamento de R$ 180 milhões e escritórios nas principais capitais do mundo. Mas caiu em desgraça no meio político desde 2003, quando perdeu todas as atividades de promoção do turismo interno para o Ministério do Turismo, ficando exclusivamente dedicada a divulgar o Brasil no Exterior. A mesma canetada alterou o significado da sigla Embratur, que, apesar do “E”, deixou de ser empresa e foi rebaixada a instituto.

Até agora, a presidência da Embratur foi recusada por ao menos três peemedebistas que não se deram bem nas últimas eleições: o ex-deputado Rocha Loures Filho, do Paraná; o ex-governador da Paraíba, José Maranhão; e Hélio Costa, derrotado na eleição para o governo de Minas Gerais. (Revista IstoÉ)

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