Aos sessenta anos, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) coleciona histórias e protagoniza avanços importantes, que contribuem para o desenvolvimento educacional, científico, cultural e tecnológico do estado. Criada oficialmente pela Lei nº 5.152, de 21 de outubro de 1966, a instituição ampliou o acesso ao ensino superior, formou gerações de profissionais e consolidou sua atuação em áreas estratégicas da pesquisa, da inovação e da produção do conhecimento.
Ao longo de seis décadas, essa trajetória foi marcada por conquistas que ultrapassam os limites da sala de aula. Da expansão para o interior do estado às descobertas paleontológicas, passando pelo desenvolvimento de tecnologias e pelos avanços na área da saúde, a UFMA acumula iniciativas que vêm contribuindo para a transformação da realidade maranhense.
Nesta matéria, estão reunidos alguns fatos e acontecimentos marcantes que ajudam a contar a história da Universidade. Confira:
1. A Universidade surgiu da união de instituições tradicionais de São Luís
As origens da Universidade Federal do Maranhão remontam à antiga Faculdade de Filosofia de São Luís do Maranhão, fundada em 1953 por iniciativa da Academia Maranhense de Letras, da Fundação Paulo Ramos e da Arquidiocese de São Luís.
Posteriormente, a instituição passou a integrar a Sociedade Maranhense de Cultura Superior (SOMACS), responsável pela criação da Universidade do Maranhão, em 1958. Em 1966, o Governo Federal instituiu a Fundação Universidade do Maranhão (FUM), reunindo escolas tradicionais de Direito, Medicina, Farmácia, Odontologia, Serviço Social e Enfermagem.
Esse processo contribuiu para consolidar o ensino superior no estado e deu origem à atual UFMA, que se tornou uma instituição pública de referência na formação acadêmica e na produção científica e cultural do Maranhão.
Atualmente, a Universidade conta com cerca de 36 mil estudantes distribuídos em nove câmpus e desempenha papel fundamental no desenvolvimento educacional e social do estado.
2. A expansão da UFMA ampliou o acesso ao ensino superior no interior
E, por falar em desenvolvimento, a atuação da UFMA não se restringe à capital maranhense. Ao longo de sua história, a instituição ampliou sua presença no interior do estado, levando oportunidades de formação acadêmica a diferentes regiões.
Em 1980, a Universidade implantou seu primeiro câmpus no continente, em Imperatriz. O projeto havia sido aprovado em 27 de junho de 1978, e os primeiros cursos ofertados foram Direito e Pedagogia, com aula inaugural realizada em 13 de fevereiro de 1980.
Hoje, o Centro de Ciências de Imperatriz (CCIM) oferece nove cursos de graduação e conta com seis programas de pós-graduação, distribuídos entre as unidades Professor José Batista e Bom Jesus.
Além de Imperatriz, a UFMA mantém centros de ciências em Bacabal, Balsas, Chapadinha, Codó, Grajaú, Pinheiro e São Bernardo, além da Cidade Universitária, em São Luís.
Estendendo ainda mais sua atuação para outros municípios, a UFMA contribui com a formação de professores da educação básica por meio do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Atualmente, são 2.091 estudantes ativos vinculados ao programa em 37 municípios maranhenses. São números que demonstram a forte atuação da Universidade no interior do Maranhão e que evidenciam o compromisso com o desenvolvimento educacional do estado.
3. O Hospital Universitário protagonizou avanços históricos na saúde do Maranhão
Vinculado à UFMA, o Hospital Universitário (HU-UFMA) desempenha papel importante na formação de profissionais de saúde, na pesquisa clínica e na oferta de atendimento especializado à população. Além de consultas, exames e atendimentos básicos, o hospital também atua em casos de média e alta complexidade.
Em julho de 2025, a instituição realizou o primeiro transplante de coração do Maranhão, um marco para a saúde pública no estado. O paciente, de 68 anos, estava inscrito na fila de espera havia apenas 19 dias, e recebeu o órgão após cirurgia comandada por uma equipe multiprofissional do hospital.
Mas o pioneirismo do HU não termina por aí. No mesmo ano, o hospital também realizou o primeiro transplante de medula óssea pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado, ampliando as possibilidades de acesso a tratamentos de alta complexidade.
Essas iniciativas evidenciam a contribuição do HU-UFMA para o avanço da assistência especializada, aliando atendimento à população, formação acadêmica e desenvolvimento de pesquisas na área da saúde.
4. A cultura e a comunicação pública também fazem parte dessa trajetória
A UFMA mantém uma atuação expressiva na promoção da cultura maranhense e na formação de profissionais da área da comunicação. Um dos destaques é o Festival Guarnicê de Cinema, realizado anualmente pela Universidade, com exibições de filmes, oficinas, minicursos e atividades voltadas ao audiovisual, além de premiações a diretores e artistas por obras de grande relevância.
Criado em 1977, o Festival Guarnicê de Cinema é o quarto festival de cinema mais antigo do Brasil e o mais longevo em atividade ininterrupta no Norte e Nordeste do país.
A produção cultural e científica da Universidade também ganha espaço na TV UFMA e na Rádio Universidade, veículos que contribuem para a divulgação do conhecimento, a formação profissional e o fortalecimento da comunicação pública.
Um marco foi o pioneirismo da TV UFMA na inclusão de intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em telejornais no Maranhão, ampliando a acessibilidade e o alcance da informação. A emissora também é a quarta mais assistida na plataforma federal Eduplay (gerenciada pela RNP / Governo Federal), com conteúdos exibidos nacionalmente.
Por meio da Diretoria de Comunicação (DCOM), o conhecimento produzido na UFMA também alcança públicos externos pelo YouTube, Instagram, LinkedIn e site oficial da instituição. Por esses canais, são distribuídos conteúdos informativos, matérias jornalísticas, divulgação científica e comunicados importantes a milhares de usuários.
Em termos de visualizações, o Instagram oficial da UFMA acumula uma média de 47 milhões anualmente. Já o site, 2 milhões, com média de 90 mil acessos anuais apenas na seção de notícias. O canal da UFMA no YouTube, criado em 2010, possui mais de 27 mil seguidores e acumula 1,5 milhão de impressões por ano.
Os números mostram a força da comunicação pública da Universidade, que ultrapassa as fronteiras físicas dos câmpus e chega à comunidade pela internet, rádio e televisão.
5. A UFMA é pioneira na implementação de IA no Sistema Eletrônico de Informações (SEI)
A inovação tecnológica também integra a trajetória recente da Universidade. Em 2024, a UFMA desenvolveu a MARA, ferramenta de inteligência artificial criada para auxiliar no atendimento ao público externo e automatizar etapas de processos internos da instituição.
Em 2025, a instituição foi pioneira entre as universidades públicas federais a implantar inteligência artificial no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), com a proposta de otimizar fluxos de trabalho e dar mais agilidade às demandas administrativas. Foi a primeira instituição pública de ensino superior do país a implementar essa tecnologia no sistema.
De olho nas demandas do mercado, a UFMA criou o curso de graduação em Inteligência Artificial e ampliou as oportunidades de formação em um campo estratégico para o desenvolvimento científico e tecnológico. Em 2026, ano de início da primeira turma, o número de interessados chegou a se equiparar a cursos como Medicina e Direito.
As iniciativas demonstram como a Universidade busca incorporar novas tecnologias tanto às atividades administrativas quanto à formação de profissionais preparados para os desafios contemporâneos.
6. A Universidade se destaca no registro de patentes e programas de computador
A produção científica da UFMA também se reflete no desenvolvimento de tecnologias e na proteção de propriedade intelectual. De acordo com o relatório de 2025 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a instituição figura entre os depositantes de patentes de invenção e registros de programas de computador no país.
Na categoria de patentes de invenção, a Universidade ocupa a 27ª posição nacional entre os depositantes residentes, com 33 depósitos. Já na área de programas de computador, está na 40ª posição, com 24 depósitos.
Os resultados evidenciam a atuação da instituição na transformação do conhecimento produzido por pesquisadores em ativos tecnológicos, reforçando a importância da pesquisa e da inovação para o desenvolvimento do Maranhão.
7. Pesquisas com babaçu transformam um recurso regional em tecnologia
Símbolo da biodiversidade maranhense, o babaçu também é matéria-prima para pesquisas desenvolvidas pela UFMA. Pesquisadores da instituição desenvolveram tecnologias com derivados do fruto, explorando aplicações nas áreas alimentícia, farmacêutica e cosmética.
Entre os exemplos, está um repelente natural contra o mosquito Aedes aegypti, desenvolvido a partir da combinação de nim e óleo de babaçu. A formulação em creme-gel teve a patente concedida em 2020 e representa uma alternativa frente a produtos estabelecidos no mercado, associando pesquisa científica, biodiversidade e potencial de aplicação na saúde.
Outra tecnologia desenvolvida utiliza derivados do babaçu em uma solução oleosa com potencial para proteção da microcirculação e suplementação energética. Também figuram na lista pesquisas com formulações cosmecêuticas de aplicação tópica, com propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e hidratantes.
Esses estudos mostram que os recursos naturais presentes no Maranhão também têm grande potencial de contribuir para o desenvolvimento de soluções tecnológicas e ampliar as possibilidades de aplicação do conhecimento produzido na Universidade.
8. A UFMA conquistou reconhecimento em ranking internacional de universidades
A quantidade de pesquisa e a qualidade do ensino oferecidos rende à UFMA visibilidade em avaliações internacionais do ensino superior. No ranking da consultoria britânica Times Higher Education (THE), a UFMA foi classificada entre as universidades brasileiras mais bem-avaliadas, além de figurar entre as 1.500 melhores do mundo. O ranking avaliou mais de 2.855 instituições de 115 países.
De acordo com os dados, a Universidade ocupou a 46ª posição nacional e a oitava colocação no Nordeste, entre setenta universidades brasileiras classificadas. A avaliação considerou indicadores relacionados ao ensino, à pesquisa, ao impacto científico e à internacionalização.
O reconhecimento reforça a relevância da produção acadêmica da UFMA e evidencia a participação de uma universidade maranhense em avaliações de escala internacional.
9. A Universidade é reconhecida por ações relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A atuação da UFMA também está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 como parte de uma agenda global voltada à promoção do desenvolvimento sustentável até 2030.
No Times Higher Education Impact Rankings, avaliação que considera as contribuições das universidades para o cumprimento desses objetivos, a UFMA foi classificada na faixa de 1.001ª a 1.500ª posição, conforme os dados divulgados pela instituição sobre a edição de 2024. Para a avaliação, foram consideradas 2.152 universidades de 125 países.
Naquele ano, a Universidade foi reconhecida por iniciativas relacionadas aos ODS 2, que trata de fome zero e agricultura sustentável; ODS 3, sobre saúde e bem-estar; ODS 7, referente à energia limpa e acessível; e ODS 17, voltado a parcerias e meios de implementação.
A participação nesse levantamento evidencia a contribuição das universidades para a promoção de práticas sustentáveis e para a articulação entre ensino, pesquisa, extensão e cooperação institucional.
10. Pesquisas paleontológicas projetam o Maranhão no cenário científico internacional
As pesquisas desenvolvidas por integrantes da UFMA também contribuem para ampliar o conhecimento sobre a história da vida na Terra. Entre os trabalhos de destaque, estão estudos sobre fósseis encontrados no município de Coroatá, no Maranhão, que podem representar uma nova espécie de espinossaurídeo, grupo de dinossauros carnívoros.
Segundo informações divulgadas sobre a pesquisa, o exemplar encontrado no estado está entre os mais completos identificados no continente para esse grupo, o que pode contribuir para novas descobertas sobre a diversidade desses animais.
Outro estudo contou com a participação do professor da UFMA Manuel Alfredo Medeiros na equipe responsável pela descrição de uma nova espécie de dinossauro, identificada com base em fósseis encontrados em Davinópolis, no sul do Maranhão.
Denominada Dasosaurus tocantinensis, a espécie viveu há cerca de 100 milhões de anos, durante o período Cretáceo. A pesquisa foi publicada no periódico científico internacional Journal of Systematic Palaeontology e amplia o conhecimento sobre a fauna pré-histórica que habitou a região.
Os estudos demonstram a contribuição de pesquisadores vinculados à Universidade para a produção científica internacional e para o conhecimento do patrimônio paleontológico maranhense.
Um legado que continua sendo construído
Se, no passado, a UFMA foi responsável por consolidar o ensino superior maranhense, atualmente, ela também se destaca pela capacidade de produzir ciência, registrar tecnologias, formar pesquisadores e participar de descobertas capazes de atrair a atenção da comunidade científica internacional.
Ao completar sessenta anos, a Universidade reafirma sua condição de principal patrimônio acadêmico do Maranhão e uma das instituições que mais contribuem para projetar o estado além de suas fronteiras.

