20/01/2026

Um vazio sem festas juninas

13/06/2020 – Editorial do Jornal O Estado do Maranhão

O maranhense ficou privado, por conta da Covid-19, de um dos mais tradicionais eventos populares do país: as festas juninas, que oficialmente começam no dia de Santo Antônio, 13 de junho, abrindo o calendário de apresentações de bumba-bois, quadrilhas, danças e outras manifestações dessa diversidade cultural tão marcante. Em anos passados, nestes dias São Luís já respirava o clima junino nos arraiais espalhados por toda a cidade. Agora, o brincante usa máscara e a festança foi cancelada.

Fica o vazio e a saudade das brincadeiras nos arraiais, que sempre atraíram um grande público, de jovens e adultos, seduzido pelos sotaques dos bois e o bailado contagiante dos brincantes que dão brilho às apresentações. Junho sem São João é difícil de imaginar, é cancelar a alegria proporcionada por uma das festas mais esperadas de todo o ano.

Essa celebração popular deverá ser só de lembranças, possivelmente em clima familiar ou com amigos, evitando aglomerações para conter o avanço do coronavírus no país – que continua registrando aumento de casos, principalmente, após a flexibilização das medidas de isolamento social.

Sem os arraiais, as bandeirinhas coloridas – que irradiam o ambiente característico da festa – e as indumentárias dos grupos ficam guardadas para o próximo ano. O período junino representa também um importante momento econômico para a cidade e as consequências são impactantes, pois muitos profissionais deixaram de faturar com o seu trabalho, como também os vendedores de produtos diversos – de comidas típicas, fogos e adereços – que se instalam nos locais de espetáculos. Este ano, os turistas estarão ausentes da cidade, com reflexo na ocupação em hotéis e no comércio em geral e, consequentemente, não proporcionando a geração de empregos.

E quem sempre esperou pelas comemorações do Dia de São Pedro, dia 29, na Madre Deus, e a Festa de São Marçal, 30, no bairro do João Paulo, certamente não poderá participar dessas manifestações que reúnem milhares de pessoas extasiadas pelas matracas e pandeirões de batalhões pesados da Ilha. Os dois consagrados eventos sinalizam o fechamento oficial da temporada junina.

Nos últimos anos, as festas juninas ganharam mais espaços e no mês de maio já era possível se divertir com programação oferecida pelos shoppings. As brincadeiras, de um modo geral, estão mais organizadas, criativas, glamorosas e profissionais. Mas este ano, a festa que sempre foi sinônimo de alegria pelos fogos de artifício e confraternização cedeu espaço para a preocupação, incerteza, medo e lamentação devido a pandemia.

Agora, as lives das brincadeiras passam a ser opção para matar a saudade dos folguedos juninos. Desde o dia 5, ocorreram Festança Junina no Ceprama, Boi de Axixá, Boi de Morros, Companhia Barrica. E neste sábado, 13, live do Boi de Maracanã, às 19h, em seu perfil nas redes sociais.

É bom lembrar que essa festança que agrada tanto os maranhenses foi trazida para o Brasil pelos portugueses, durante o período colonial. Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França, veio a dança marcada, característica dos salões nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Como diz a música: “São João, São João acende a fogueira do meu coração”.

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