20/01/2026

O Racismo Institucional e a Invisibilidade da Cor é tema do artigo da administradora e educadora popular, Meire Rabello, integrante das religião de matriz africana

Os dados do Maranhão, em 2022, apontaram que o Estado tem o 5º maior contingente proporcional que se declaram da cor preta: 10,9%, 779 mil sobre um total de 7.118 milhões de pessoas ficando atrás dos estados da Bahia 21,5%, Rio de janeiro 14,2%, Espírito Santo 12,3% e Tocantins 11,7%. Ainda o MA é o 5º maior contingente percentual dentre as 27 unidades da federação do Brasil: 82,1% (5.850 milhões de um montante global de 7.118 milhões de pessoas.

Em 2022, o IBGE fez um estudo para auxiliar nas políticas públicas para a população preta “DESIGUALDADES SOCIAIS PARA A COR OU RAÇA NO BRASIL” abordou temas como: MERCADO DE TRABALHO E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA, CONDIÇÕES DE MORADIA E PATRIMÔNIO, EDUCAÇÃO, VIOLÊNCIA, PARTICIPAÇÃO E GESTÃO. E com esses dados faço o recorte racial em alguns aspectos que são de invisibilidade.

Ressalto uma passagem de Marx, que diz no capitulo 4 de O Capital, quando diz. No plano da circulação de mercadorias no mercado de trabalho, capitalistas e operários aparecem como iguais cidadãos, portando mercadorias e dispostos a trocá-las. Neste sentido, em Marx fica bem evidente que a igualdade bem como a fraternidade e liberdade entre seres humanos no mundo capitalista é puramente capitalista é puramente ilusória (Marx, 1985{1867}. Em que condições estão a população afrodescendentes na moradia na educação na participação coletiva e gestão no estado?

Portanto, quer se queira ou não, as críticas do mesmo, o mundo atual está regido por esta vertente. Então, posso afirmar que nas sociedades ditas livres os sujeitos deveriam ser tratados igualmente pelo estado e pelo conjunto das instituições públicas e privadas, e até mesmo ter igual acesso à dignidade, perpetua outra vez uma argumentação puramente formal.

A INVISIBILIDADE DA COR, resulta no opressor a te colocar na posição de culpado, quando não, te classifica de arrogante, ou até mesmo ele se coloca na posição de ofendido vitimizado, para que você seja o problema. E assim para que continue na posição de SUBMISSÃO, esse ser negro (a) invisível através da exclusão, culpabilização. É a sutileza do opressor. Para o opressor, racista, preconceituoso, o importante é deixar essa marca para que continue perpetuando até aos tempos de hoje essas falas. E no estado soberano de direito tem os ditadores travestidos de democráticos. E isso é um PODER DE FALA, quando se trata dos (negros, pretos (as) afrodescendentes nos espaços de poder, e as vezes não precisa ser um espaço de poder grande. Assim acontece nas estruturas de Estado. Que mito de democracia racial do começo do século XXI Gilberto Freire vendeu? Tem tudo a ver?

Os desafios são para o combate ao Racismo Institucional e o Racismo Estrutural, este último tende a ser mais perigoso por ser de difícil percepção dentro das instituições públicas e ou privadas do Estado e das que de forma indireta promovem a exclusão ou o preconceito étnico-racial. Portanto, esses costumes, hábitos, situações e falas embutidas, promovem diretamente ou indiretamente, a segregação ou preconceito racial está impregnado. VIDAS NEGRAS IMPORTAM!!

Por Meire Rabello
Formada em Administração, Educadora Popular, Integrante das Religião de Matriz Africana