“Laroiê, peço licença aos Exuberantes Cazumbas para adentrar poeticamente seu mundo, universo mágico e encruzilhadas.” É com este chamado poético que o multiartista Tairo Lisboa convida o público a confabular sobre novos mundos possíveis na exposição “Exuberantes Cazumbas”.
Fruto de uma pesquisa artística híbrida, a exposição oferece um mergulho no universo místico do Cazumba, o brincante enigmático do Bumba meu Boi do Maranhão.
Exu e as encruzilhadas
O título “Exuberantes” nasce de uma analogia poética proposta pelo artista: assim como o orixá Exu é responsável por iniciar as atividades ritualísticas e abrir os caminhos nas religiões de matriz afro-brasileira, o Cazumba tem a função de chegar na frente. Com seu chocalho e um gingado característico que balança os quadris, ele abre o terreiro para a passagem do Boi.
Ebó artístico
Fugindo de estigmas puramente folclóricos, a exposição funciona como uma “Zona Autônoma Temporária da Arte”. Em vez de obras meramente explicativas, o público encontrará um ambiente imersivo, reflexivo e interativo, construído por meio de:
- Fotografias documentais e experimentais;
- Videoarte e paisagens sonoras;
- Desenhos, esculturas e performances;
- Medidas integradas de acessibilidade.
O convite de Tairo Lisboa termina com o questionamento: “Se muitas vezes ouvimos falar que o Cazumba não é gente nem bicho, então o que ele é?”
O recorte curatorial é compartilhado e pensado para fomentar o pensamento crítico. A programação contará com rodas de conversa envolvendo Mestres e Mestras da cultura popular para debater caminhos contracoloniais e antirracistas.
A mostra celebra a resistência dos saberes afro-indígenas maranhenses e reverencia os territórios quilombolas, expressando um agradecimento especial aos ensinamentos recebidos do Boi da Floresta (Quilombo Urbano Liberdade) e de diversos outros grupos de Bumba meu Boi.
Tairo Lisboa
Tairo Lisboa é artista multimídia, com trabalhos no segmento da poesia, fotografia, performance e cinema, residente em São Luís (MA), com atuação artística que abrange todo o estado do Maranhão. Sua pesquisa e vivência artística são uma tecitura poética e lúdica entre a cultura popular e o universo onírico, e sua produção é sempre oferecida gratuitamente ao público. É diretor de alguns documentários, dentre eles o premiado “Xiri Meu” (2014), que retrata a sambista maranhense Patativa, e “Nambuaçu – Promessas são Promessas” (2019).


