05/05/2026

Casa de Nagô une tradição e justiça climática no Festejo do Divino Espírito Santo 2026

Referência histórica do Tambor de Mina no Maranhão, a Casa de Nagô inicia, no próximo dia 13, às 17h, o tradicional Festejo do Divino Espírito Santo. Fundada no século XVIII e tombada como patrimônio estadual, a Casa traz em 2026 uma abordagem inovadora: a conexão entre os saberes ancestrais e os desafios da justiça climática.

Programação e ritos tradicionais

O festejo, que é a principal celebração do calendário da Casa, envolve uma série de etapas rituais que mobilizam o bairro da Madre Deus e o Centro Histórico. A programação inclui:

  • Abertura da tribuna e buscamento do mastro;
  • Cortejo pelas ruas e levantamento do mastro;
  • Missa na Igreja de São Pantaleão;
  • O ápice no Dia da Festa Grande;
  • Derrubamento do mastro, ladainhas e a tradicional roda de Tambor de Crioula para São Benedito.

Fé, cultura e impacto social

Além do caráter religioso, a Festa do Divino cumpre um papel social vital. Através da distribuição gratuita de alimentos e da ocupação cultural do território, o evento combate a insegurança alimentar e democratiza o acesso à cultura. O protagonismo das mestras caixeiras — guardiãs da tradição oral — e a participação das crianças no Império do Divino garantem a renovação e a continuidade desse legado.

Nesta edição, a Casa de Nagô propõe uma reflexão crítica sobre a sustentabilidade dos ritos em tempos de emergência climática. Um exemplo prático é o próprio mastro: símbolo central da festa, que antes era colhido diretamente na floresta e hoje precisa ser adquirido em madeireiras devido ao desmatamento, evidenciando as transformações forçadas nas práticas tradicionais.

Para aprofundar o tema, a programação contará com:

  • Roda de Conversa: “O mastro do Divino – Desmatamento, Racismo Ambiental e Tradições Afro-Religiosas”, debatendo como o impacto ambiental afeta diretamente os territórios tradicionais.
  • Oficina: “Sete Tipos de Ervas”, focada no uso ritual, medicinal e ecológico das plantas sagradas, fortalecendo a relação entre espiritualidade e preservação da natureza.

Resistência

Ao integrar consciência ambiental e espiritualidade, a Casa de Nagô reafirma seu papel como espaço de resistência e fortalecimento comunitário. O festejo não apenas mantém viva uma das tradições mais ricas do Maranhão, mas também se posiciona na vanguarda das discussões contemporâneas sobre o planeta.