16/10/2026

Casa Fanti-Ashanti lança autobiografia de Mãe Kabeca de Xangô neste sábado (17)

A obra “Meu tempo, minha história” registra a trajetória de uma das principais lideranças das religiões de matriz africana no Maranhão

As memórias, os saberes e a trajetória de uma das principais lideranças das religiões de matriz africana no Maranhão serão celebrados em livro. No sábado, dia 17 de outubro, às 19h, a Casa Fanti-Ashanti realiza o lançamento de “Meu tempo, minha história”, autobiografia de Izabel Mesquita dos Santos, a Mãe Kabeca de Xangô, Yalaxé da tradicional casa religiosa. A obra estará disponível para venda durante o evento em tiragem limitada.

Mais do que um relato autobiográfico, a publicação é um registro de memória, ancestralidade e resistência. Ao narrar sua jornada, Mãe Kabeca resgata momentos marcantes da história da Casa Fanti-Ashanti e compartilha vivências do desenvolvimento do Tambor de Mina e do Candomblé no Estado.

Mãe Kabeca (Foto: Wallace Trancoso)

A obra é fruto de um projeto selecionado em 2024 pelo Edital Mãe Gilda de Ogum, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Brasília), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec).

Uma vida dedicada à ancestralidade

Nascida no povoado de Limoeiro, zona rural de São Luís, Mãe Kabeca manifestou seus dons espirituais aos seis anos. Em 1960, seus pais a levaram até Pai Euclides Talabyan, fundador da Casa Fanti-Ashanti, iniciando um laço definitivo com o terreiro. Aos 12 anos, começou a ser preparada para dar continuidade ao legado do fundador, assumindo a liderança da casa em 2015, após o falecimento de Pai Euclides.

“Meu tempo, minha história” (Foto: Divulgação)

Com mais de cinco décadas de vivência religiosa, Mãe Kabeca é guardiã de um acervo vivo de conhecimentos. Sem substituir a oralidade — pilar fundamental da tradição —, o registro escrito amplia as formas de salvaguarda desses saberes, dando sequência também ao trabalho de Pai Euclides na publicação de livros e discos sobre a cultura afro-maranhense.

Enfrentamento à violência e ao racismo religioso

O lançamento integra a programação do Seminário Tecendo Redes de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e ao Racismo Religioso, que ocorre no mesmo dia, das 8h30 às 16h, na Casa Fanti-Ashanti.

“Meu tempo, minha história” (Foto: Divulgação)

A iniciativa faz parte do projeto “Àyó: Alegria Gerada Pelo Afeto”, coordenado pela Casa Fanti-Ashanti em parceria com as comunidades quilombolas de Santana e Juçatuba (São José de Ribamar) e apoio da Cese Direitos. O seminário reunirá lideranças religiosas e gestores públicos para debater estratégias de combate ao feminicídio e ao racismo religioso.

Após a sessão de autógrafos, a programação cultural será encerrada com apresentações de grupos de Tambor de Crioula.