24/02/2024
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Casa noturna tinha mais clientes do que o permitido; donos e músicos são presos

Foto: A psicologia da tragédia (*)  O roteiro é conhecido. Após uma tragédia como a de Santa Maria, a vontade de agir é irrefreável. Nas próximas semanas, Estados e municípios atualizarão suas normas de segurança anti-incêndio e apertarão a fiscalização sobre todo tipo de estabelecimento. Trata-se, é claro, de um efeito transitório.  Com o tempo, o ímpeto vigilante arrefece e as coisas voltam mais ou menos ao que eram antes. E não adianta muito maldizer a leniência das autoridades brasileiras. Ainda que em diferentes graus, o fenômeno é universal e tem origem nos mecanismos pelos quais percebemos o perigo. A pergunta é se devemos aceitar essa abordagem intuitiva ou se seria preferível buscar uma visão mais racional, recorrendo à análise de risco e a especialistas antes de agir.  Há aqui duas visões respeitáveis e difíceis de conciliar. Paul Slovic, talvez a maior autoridade do mundo em psicologia do risco, é um ferrenho defensor do senso comum. Diz que especialistas padecem dos mesmos vieses das pessoas comuns. Só são mais eficientes ao justificar suas preferências. A própria noção de risco objetivo é uma ficção. Devemos aproveitar casos de comoção motivados por incêndios, enchentes etc. para melhorar o marco regulatório. O progresso vem entre episódios de pânico.  Outra sumidade na área, Cass Sunstein, tem um projeto mais iluminista. Ele acha que especialistas têm algo a ensinar e que apenas reagir às notícias de jornal pode causar mais mal do que bem. Um exemplo: o medo insensato do terrorismo pode fazer com que muitos troquem o mais seguro transporte aéreo por longas e perigosas viagens de carro, gerando mortes desnecessárias.  Eu pendo mais para Sunstein. O problema, no fundo, é a arquitetura de nossos cérebros. Quando lidamos com riscos que não fazem parte de nosso dia a dia, ou agimos como se eles não existissem ou como se fossem uma sentença de morte. O mais realista meio-termo desaparece.  (*) HÉLIO SCHWARTSMAN  helio@uol.com.br
Superlotação dificultou saída do local durante incêndio em santa maria – 76 feridos correm risco de morte – à noite, multidão de branco saiu às ruas para lembrar vítimas

Folha de São Paulo 

Cerca de 1.000 pessoas, a maioria jovens universitários, em um local onde só eram permitidas, no máximo, 691.
Um dia após a tragédia na cidade gaúcha de Santa Maria, onde ao menos 231 pessoas morreram, já é possível saber, de acordo com os bombeiros, que a superlotação dificultou a saída durante o incêndio na casa noturna Kiss.
Os dois proprietários da boate e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava na hora da tragédia, foram presos. Para a polícia, os quatro “assumiram o risco da morte” dos frequentadores do local.
Além de o alvará da casa noturna estar vencido, a polícia entende que foi um risco à segurança o show pirotécnico feito pela banda.
Ontem, Santa Maria parou para que pais e mães enterrassem seus filhos. Quase 75 vizinhos acompanharam, por exemplo, o enterro da menina Janaína Portela, 19, que fora à Kiss para lavar copos no lugar da mãe, que estava doente.
Ao mesmo tempo, uma onda de solidariedade tomou conta da cidade.
No Complexo Desportivo Municipal, que concentrou os velórios, quase 2.000 pessoas, muitas delas universitárias como a maioria das vítimas, se mobilizavam para garantir comida, abrigo e abraços aos parentes.
Nos hospitais da cidade, de Porto Alegre e de Canoas, 129 feridos continuam internados -desses, 76 estão em “estado crítico” e correm risco de morte, informou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Por volta das 22 horas, uma multidão saiu às ruas para lembrar a tragédia. Soldados da Brigada Militar do Rio Grande do Sul estimavam entre 20 mil e 30 mil pessoas.
O incêndio na boate provocou um “efeito dominó” pelo país, com prefeituras convocando reuniões para discutir a segurança em casas noturnas. Foi um pedido da presidente Dilma Rousseff, que anteontem foi a Santa Maria.
Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad irá se reunir com donos de casas noturnas para tentar melhorar a segurança desses locais. Não há um banco de dados disponível sobre a situação dos alvarás dos estabelecimentos na capital paulista.

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