22/02/2024
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Entrevista com Zeca Baleiro, que lança seu primeiro álbum infantil

Zeca Baleiro 

 


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Já ouviu falar em joaninha que veste preto? E em girafa que dança reggae? Esses e outros bichos esquisitos foram reunidos por Zeca Baleiro em seu primeiro álbum infantil, “Zoró”.
Lançado na última segunda-feira (14), o disco traz 28 faixas, cada uma sobre um animal.


Confira abaixo entrevista com o músico.

FOLHINHA – Por que fazer um álbum infantil agora?

ZECA BALEIRO – Era um projeto antigo, desde que meus filhos eram pequenos. Eu criava músicas com eles, para dormirem, mas nunca como um projeto sério. Até que decidi gravar. Mas perdi o “time”, pena que eles já cresceram. Estão com 16 e 14 anos hoje.

Você se inspirou na “Arca de Noé”, do Vinicius de Moraes, ou no “Os Saltimbancos”, do Chico Buarque? Eles também são álbuns de bichos…

Claro que foi uma influência. Escutava muito em casa. Mas o “Zoró” tem uma pegada mais lado B, não é o tipo de produção mainstream.

Como você vê a produção musical para crianças feita hoje?

Tem muito mais coisa sendo produzida do que na minha época. Tem mais criança no mundo, né? Isso fez o mercado se abrir. Existem coisas muito boas, como o Pequeno Cidadão, a Banda Mirim, o projeto “Brasileirinhos”, do Paulo Bira, que é excelente. Mas também muita coisa ruim vem sendo feita, preocupando-se mais com a mensagem a ser passada para a criança do que com o produto em si.

É a ditadura do politicamente correto para crianças?

O disco “Zoró” é um grito contra o politicamente correto, que quer estragar com tudo. É muito melhor atirar o pau no gato na infância do que um adulto fazer isso. Depois a gente faz um curativo. Não é a arte que tem que ensinar a criança. É o pai.

É esse grito que faz o disco soar tão diferente? Você mistura vários bichos absurdos, diferentes ritmos…
A criança é rock’n’roll e poesia. É a única fase da vida em que você pode ser louco sem ser internado.
Você comentou que seus filhos tiveram papel importante no álbum. Eles ajudaram a fazer algumas músicas?

Eles não compuseram, mas tiveram participação, claro. Lembro que uma vez estávamos num avião e meu filho falou: “Olha, pai. Uma árvore de nuvens”. Achei aquilo tão bonito que fiz uma música falando disso. Vai estar no segundo volume, que vamos começar a produzir no ano que vem.

Mas, ao contrário deste, não terá só bichos, certo?

Deixei os bichos todos no primeiro álbum. O próximo vai ter músicas sobre tudo.

“Zoró” não é seu primeiro trabalho infantil. Você fez também a peça infantil “Quem Tem Medo de Curupira”, que chegou a ganhar um prêmio Femsa em 2010. Um trabalho influenciou o outro?

Não. Escrevi “Quem Tem Medo de Curupira” na década de 1980, quando eu fazia parte um grupo de teatro em São Luis (MA). Mas o grupo se desfez, e eu guardei o texto. Fui tirá-lo da gaveta 20 anos depois, quando surgiu a oportunidade de fazer uma peça para crianças. Mas já fiz outros trabalhos infantis também. Compus trilhas, escrevi críticas de teatro para crianças. É um público com quem gosto de trabalhar.

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