24/02/2024
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MAIS DE 15 MIL VÃO ÀS RUAS DE SL PROTESTAR

O protesto foi pacífico, até que um grupo de manifestantes pichou o prédio da Prefeitura e atacou a polícia, que reagiu
POR OSWALDO VIVIANI – Jornal Pequeno 
Mais de 15 mil pessoas se manifestaram, na tarde e na noite de ontem (19), no centro de São Luís, inserindo a capital maranhense na onda de protestos que toma conta de todo país.
No início, não houve violência e a Polícia Militar apenas acompanhou os protestos de longe, apesar de o Batalhão de Choque ficar em prontidão e um helicóptero do Grupo Tático Aéreo (GTA) sobrevoar todo o itinerário percorrido pela multidão – da Praça Deodoro ao Palácio dos Leões (sede do governo estadual).
No entanto, perto das 20h45, quando a manifestação já estava em seu final, um pequeno grupo de jovens mais exaltados pichou a fachada do Palácio La Ravardière (sede da Prefeitura de São Luís), vizinho ao Leões, e atirou uma bomba caseira no interior do prédio. Depois, jogaram latas e pedras nos policiais – que até então guardavam uma prudente distância dos manifestantes, separação reforçada por grades de ferro instaladas ontem na área da Prefeitura e do Leões.
Policiais a cavalo reagiram e investiram contra o grupo de manifestantes que deu início aos atos de vandalismo. Bombas de efeito moral foram detonadas para dispersar a multidão.
Um carro da equipe de reportagem da TV Mirante foi amassado pelo mesmo grupo mais exaltado de manifestantes, mas ninguém da equipe se feriu. O grupo também tentou colocar fogo no veículo.
Protesto dos jovens em São Luís foi pacífico até ação de provocadores no Palácio dos Leões

Protesto dos jovens em São Luís foi pacífico até ação de provocadores no Palácio dos Leões
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Segundo informou a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança (SSP-MA), ao menos uma pessoa – uma mulher – passou mal com o efeito das bombas e três manifestantes foram presos. Às 22h30, a manifestação se dispersou.
No início, protesto pacífico – Até esses episódios de violência, a manifestação foi pacífica. Os manifestantes – a maioria, estudantes entre 15 e 22 anos, com nariz de palhaço e caras pintadas de verde e amarelo, munidos de apitos, cornetas, bumbos e tudo o que fizesse barulho – começaram a se reunir na Praça Deodoro, diante da Biblioteca Benedito Leite – recém-inaugurada. Muitos dos jovens carregavam bandeiras do Brasil.
Depois, a multidão saiu numa passeata que percorreu a Avenida Rio Branco, a Avenida Beira-Mar e foi terminar na área do centro que agrega o Palácio dos Leões, o Palácio La Ravardière e o Tribunal de Justiça.
‘Xô, Sarney’ – Assim como nos protestos na maioria das cidades importantes do país, o de São Luís também teve um mote inicial – mobilidade urbana – que deslanchou para outras motivações.
As palavras de ordem e as frases escritas em cartazes – alguns deles confeccionados ali mesmo, em meio à manifestação – pediam de tudo um pouco: educação, saúde e transporte de boa qualidade, fim da corrupção na política, fim da oligarquia Sarney, fim da impunidade no país, nenhum aumento de tarifa nos transportes públicos, não à Copa no Brasil.
O pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC) tampouco escapou dos protestos. Feliciano é autor de uma polêmica proposta, aprovada na comissão de Diretos Humanos, que ele preside, que suspendeu uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, a qual proibia profissionais da área de oferecer tratamento e cura da homossexualidade (a chamada “cura gay”).
Os slogans e cartazes contra o grupo político liderado pelo ex-presidente do Senado José Sarney predominaram no protesto. “Sarney ladrão, devolve o Maranhão!”, “Sarney, safado, liberta o meu estado!”, Não é mole, não. A Roseana acabou com o Maranhão!”, foram os gritos mais repetidos. “Não adianta fugir, Sarney. O Maranhão acordou!”, exibia uma das muitas faixas com dizeres contra o senador.
Apartidarismo – O protesto ludovicence também se caracterizou pelo apartidarismo. Um líder do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), Luís Noleto, não pôde exibir a bandeira da agremiação na manifestação. Um grupo cercou o militante, tirou a bandeira de sua mão e a queimou.
Para sábado (22) está marcada outra grande manifestação, essa do movimento “Acorda, Maranhão”. O protesto terá início na Praça Maria Aragão, às 14h, com passeata também marcada para terminar no Palácio dos Leões.

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