24/02/2024

“Olhar Divino”: uma exposição imperdível

Por Eden Jr.*

A Festa do Divino Espírito Santo é um evento religioso associado à Igreja Católica que normalmente acontece sete semanas depois da Páscoa. Ela se dá em alusão ao Pentecostes, momento no qual, conforme os preceitos católicos, o Espírito Santo se apresentou aos apóstolos. No Maranhão, assim como no caso de outros espetáculos populares que ocorrem neste Estado e alhures, ela ganha contornos próprios, que a deixa com características pitorescas. Segundo o Professor Ferretti, em terras maranhenses alcançam realce, na festividade, a presença feminina, simbolizada nas caixeiras que tocam o instrumento percussivo nominado caixas do divino, e o fato de a manifestação ser incluída no calendário anual religioso dos tambores de mina, nas casas de culto afro-maranhenses.

Aspectos marcantes da Festa do Divino que podem ser destacados são: a cor vermelha das indumentárias, que retrata o fogo mediante o qual o Espírito Santo se apresentou aos apóstolos; a pomba, que simboliza o próprio Espírito Santo; a figura do Imperador, sua coroa e cetro; o Mordomo-Régio; o mastro; a Procissão do Divino; doces e licores.

Contudo, a Festa do Divino Espírito Santo no Maranhão é também daquelas manifestações que necessitam ser acolhidas e enaltecidas pela sociedade e pelo poder público local. Isso sob pena de definhar ou até mesmo desaparecer, especialmente no contexto da terrível pandemia de Covid-19, que provocou o distanciamento social e prejudicou as aglomerações humanas.

É nessa conjuntura, e sobretudo com o cuidado preservacionista, que foi aberta no último dia cinco de maio a exposição “Olhar Divino”, no Museu da Imagem e do Som do Maranhão (MIS/MA) no Forte Santo Antônio, que está localizado na Península da Ponta d’Areia. A mostra tem a concepção e curadoria de Cláudio Pinheiro, multiartista e executivo de cultura, que busca amplificar as atividades desenvolvidas pelo MIS/MA e oferecer para a sociedade novas possibilidades de contato com a cultura maranhense.

 A exposição reúne fotografias que têm como temática a Festa do Divino. São registros das lentes e perspectivas singulares de Carolina Santos, Charlles Eduardo, David Sousa, Eden Jr., Marcellus Ribeiro e Zeqroz Neto. Nas fotos estão presentes, sob a visão particular de cada um dos expositores, os elementos essenciais da festa: a procissão, o mastro, as caixas, as caixeiras, a culinária, o Imperador, o Mordomo-Régio, as crianças, as vestimentas, a devoção e a força religiosa e popular. São imagens, que mesmo sob perspectivas díspares, formam um harmônico e vibrante mosaico de elementos da festa.

Outras nuances deixam mais peculiar a exposição. As fotografias estão amparadas em papéis reciclados – estes também obras de artes – produzidos em oficina desenvolvida no Estaleiro Escola Luiz Phelipe Andrès em parceria com o Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Integram ainda a programação a atividade “Divinos Toques”, que apesenta vídeos com depoimentos de personalidades ligadas à celebração e uma playlist musical com cânticos e toques tradicionais das Caixeiras do Divino, além de um documentário do historiador e pesquisador Sebastião Cardoso abordando a Festa do Divino.  

Logo, é em todo louvável a iniciativa de Cláudio Pinheiro e do Museu da Imagem e do Som do Maranhão em oferecer a mostra “Olhar Divino”, valorizando e chamando a atenção para a necessidade de manutenção de uma das nossas mais representativas manifestações culturais. O público tem a oportunidade, diga-se imperdível, de conferi-la até o dia cinco de junho.      

* Economista e Relações Públicas (eden-jr@hotmail.com.br) 

 

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