12/05/2026

Renda média do brasileiro atinge recorde de R$ 3.367 em 2025, aponta IBGE

O rendimento médio mensal real da população brasileira com algum tipo de renda alcançou R$ 3.367 em 2025, o maior patamar desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012. O avanço de 5,4% em relação a 2024 consolida o quarto ano seguido de crescimento dos rendimentos no País, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em perspectiva histórica, o resultado é ainda mais expressivo. O rendimento médio de todas as fontes ficou 8,6% acima do registrado em 2019 e 12,8% superior ao de 2012. Após as quedas verificadas durante a pandemia de Covid-19, especialmente nos anos de 2020 e 2021, a recuperação iniciada em 2022 manteve-se de forma consistente até o ano passado.

Do total de 212,7 milhões de residentes no Brasil em 2025, 67,2% possuíam algum tipo de rendimento, o equivalente a 143 milhões de pessoas. Esse percentual, superior ao de 2024, representa o maior nível já registrado pela pesquisa. A Região Sul manteve a maior proporção de pessoas com renda (70,9%), enquanto Norte (60,6%) e Nordeste (64,4%) apresentaram os menores índices.

Trabalho como principal fonte

O trabalho segue como a principal fonte de renda da população. Em 2025, 47,8% dos residentes tinham rendimento habitual proveniente do trabalho, variação positiva de 0,7 ponto percentual frente a 2024. O rendimento médio mensal real de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.560, alta de 5,7% em relação ao ano anterior, também o maior valor da série histórica. Em comparação com 2019, o crescimento acumulado chegou a 11,1%.

As desigualdades regionais persistem. Nordeste (R$ 2.475) e Norte (R$ 2.777) registraram os menores rendimentos médios do trabalho, ao passo que Centro-Oeste (R$ 4.133), Sul (R$ 4.026) e Sudeste (R$ 3.958) apresentaram os maiores valores. Em relação a 2024, o Centro-Oeste (9,5%) e o Norte (8,1%) lideraram o crescimento. Na comparação com 2019, as mesmas regiões se destacaram, com expansões de 19,5% e 19,8%, respectivamente. A Região Sudeste registrou o menor avanço acumulado no período, de 7,2%.

A massa de rendimento mensal real de todos os trabalhos atingiu R$ 361,7 bilhões em 2025, crescimento real de 7,5% em relação a 2024 e de 23,5% frente a 2019. O resultado marca o quarto ano consecutivo de expansão a taxas anuais superiores a 6%, impulsionado tanto pelo aumento do rendimento médio quanto pela ampliação da população ocupada com rendimento, que chegou a 101,6 milhões de pessoas.

Programas sociais e aposentadorias

Entre as fontes de renda além do trabalho, aposentadorias e pensões se mantiveram como a principal categoria, abrangendo 13,8% da população residente, com valor médio mensal de R$ 2.697. Os rendimentos de programas sociais do governo, por sua vez, chegaram a 9,1% da população, com valor médio de R$ 870 em 2025, praticamente estável em relação a 2024 (R$ 875), mas 71,3% acima dos R$ 508 registrados em 2019. As Regiões Nordeste (15,8%) e Norte (13,7%) concentravam os maiores percentuais de beneficiários desses programas.

Renda domiciliar per capita também bate recorde

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu R$ 2.264 em 2025, crescimento de 6,9% frente a 2024 e de 18,9% em relação a 2019. O trabalho respondeu por 75,1% desse total, enquanto os 24,9% restantes foram compostos principalmente por aposentadorias e pensões (16,4%), programas sociais (3,5%), aluguel e arrendamento (2,1%), entre outras fontes.

As disparidades regionais também se refletem nesse indicador. Nordeste (R$ 1.470) e Norte (R$ 1.558) registraram os menores valores, substancialmente abaixo de Sul (R$ 2.734), Centro-Oeste (R$ 2.712) e Sudeste (R$ 2.669). Em termos de crescimento acumulado desde 2019, Norte (33,6%), Centro-Oeste (27,4%) e Nordeste (23,8%) lideraram a expansão, enquanto o Sudeste avançou 14,1%.

A diferença entre famílias beneficiárias de programas sociais e as demais é expressiva. Em 2025, domicílios que recebiam o Bolsa Família tinham renda per capita média de R$ 774, menos de 30% dos R$ 2.682 registrados entre aqueles que não recebiam o benefício. Considerando todos os programas sociais em conjunto, a renda per capita dos domicílios atendidos foi de R$ 886, inferior a um terço dos R$ 2.787 das famílias não beneficiárias.

Desigualdade segue elevada, apesar de recuo

Os indicadores de desigualdade mostraram relativa estabilidade em 2025. O índice de Gini do rendimento do trabalho foi estimado em 0,491, próximo ao de 2024 (0,487) e abaixo do pico registrado antes da pandemia, quando chegou a 0,506. O Gini do rendimento domiciliar per capita passou de 0,504, em 2024, para 0,511 no último ano, mas permanece inferior ao nível de 2019 (0,543) e de todo o período pré-pandemia.

A concentração de renda, contudo, segue elevada. Os 10% mais ricos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres em 2025. Além disso, esse mesmo grupo detinha 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, parcela superior à soma dos 70% da população com os menores rendimentos.