13/06/2024

Solução em ergonomia criada pelo SESI-MA em parceria com a UFMA pode ser nacionalizada

O Ergotech combina tecnologia e inovação para prevenir problemas relacionados à ergonomia no ambiente de trabalho
SÃO LUÍS – O Programa SESI Ergotech, tecnologia a favor da segurança no ambiente de trabalho, desenvolvido pelo SESI Maranhão em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), foi apresentado a uma comitiva do SESI Nacional e de mais seis estados brasileiros esta semana, e pode passar a ser adotado em todo o Brasil. Criado como um projeto-piloto e de inovação, o SESI Ergotech tem foco no desenvolvimento de um software para monitoramento de indicadores de saúde por meio do uso de sensores vestíveis (wearables) e uma metodologia semiautomática apoiada por computadores e dispositivos com câmeras de profundidade. O projeto visa a utilização de métodos de avaliação postural validados para análise ergonômica de tarefas no ambiente de trabalho.
“É a primeira vez que um produto nosso passa a ser analisado, com possibilidade de ser nacionalizado. É um grande orgulho e um passo muito importante no desenvolvimento do nosso trabalho em saúde e segurança, e marca um modelo de grande atuação do SESI Maranhão, de embarcar tecnologias e conhecimentos da área acadêmica para proteger e oferecer grau cada vez mais elevado de cuidado ao trabalhador da indústria”, disse Diogo Lima, superintendente regional do SESI.
O programa foi detalhado durante três dias por técnicos do SESI Maranhão e professores da UFMA a profissionais da área de ergonomia do Serviço Social da Indústria dos estados da Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, além da equipe do SESI Nacional, formada por Katyana Aragão, gerente de Soluções Integradas em Saúde e Segurança, e pelos especialistas em desenvolvimento industrial, Migliane Réus de Mello e Augusto Luís Borges. A comitiva ainda esteve em duas indústrias maranhenses, a VAE Brasil – Voestalpine Railway Systems Brazil, em Bacabeira, e a Edeconsil Construções e Locações, em São Luís, onde o Ergotech já está sendo aplicado pelo SESI-MA.
“Nós estamos aqui no Maranhão com o intuito de conhecer essa ferramenta para que a gente possa levar para os outros estados também, ou seja, nacionalizar o Ergotech”, ressaltou Katyana Aragão, do Departamento Nacional do SESI. Ela explicou que em 2023 o SESI atendeu em todo o Brasil mais de 60 mil estabelecimentos industriais, e a grande maioria desses estabelecimentos foram atendidos com programas legais, e a ergonomia é parte de uma norma regulamentadora (NR).
“Quando a gente teve a inclusão do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a identificação dos perigos ergonômicos faz parte desse programa. Mas, muitas vezes, são profissionais de segurança, engenheiros, técnicos de segurança e não ergonomistas que fazem o PGR. Então, ter uma ferramenta que apoie a identificação dos perigos ergonômicos para o PGR de uma forma mais segura, com garantia técnica, validação científica, para nós é muito importante”, pontuou a gerente.
A ergonomia no ambiente de trabalho, para as indústrias, é tão importante que existe uma norma regulamentadora, a NR-17, que obriga as empresas a avaliar e oferecer as melhores condições ergonômicas para o trabalhador, como explicou a coordenadora de Saúde e Segurança na Indústria do SESI-MA, Ana Carolina Bandeira. Nesse sentido, o SESI Ergotech é um programa que combina tecnologia e inovação para prevenir problemas relacionados à ergonomia no ambiente de trabalho.
“A gente sabe que os serviços de ergonomia têm um alto custo para a empresa e essa tecnologia visa diminuir esse custo, simplificar a etapa de coleta de dados no ambiente de trabalho utilizando um software que pode ler todas as informações capturadas no ambiente de trabalho e, após essa captura, gerar um relatório com os parâmetros ergonômicos diminuindo esse tempo de coleta de dados na empresa”, destacou Ana Carolina.
Ela também falou da importância da tecnologia e frisou que os programas do SESI têm como ponto de partida melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores da indústria no Maranhão. “Ao empregar wearables e técnicas avançadas de análise, o SESI Ergotech busca oferecer uma ferramenta eficaz para a identificação e correção de riscos ergonômicos, contribuindo assim para a criação de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis”.
A gestora disse ainda que além da coleta de dados voltadas para a ergonomia, o Ergotech permite monitorar o trabalhador com dispositivos vestíveis no momento da sua atividade. “Então, dependendo da função e da atividade daquele trabalhador, a gente consegue monitorar parâmetros de saúde como pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio, para que ele fique sendo monitorado por uma equipe remota e possa desenvolver a sua atividade com mais segurança”.
PARA TODO O BRASIL  O produto do SESI Maranhão chamou a atenção dos ergonomistas que estiveram em São Luís. Foi o caso do ergonomista Jefferson Tiago Ferreira, do SESI de São Paulo, que acredita que investimentos em inovação em segurança e saúde do trabalho trazem retornos positivos para os trabalhadores e a indústria.
“Conhecer a tecnologia Ergotech foi um prazer imenso. A tecnologia apresentada permite associar dados de saúde dos trabalhadores com ergonomia, possibilitando, assim compreender o contexto geral de uma atividade de trabalho analisada e os impactos na saúde dos trabalhadores. Com isso permite ao ergonomista atuar com eficiência em medidas de controle para os perigos e riscos identificados”, elogiou o ergonomista Jefferson Tiago Ferreira, do SESI-SP.
Já Elen Passos, do SESI Bahia, apontou como o Ergotech pode melhorar a área da ergonomia em todo o país. “Com a criação do Ergotech, o SESI alinha ciência e tecnologia, oferecendo à indústria uma excelente ferramenta para otimizar o diagnóstico rápido e preciso de análise ergonômica do trabalho, auxiliando na identificação e controle dos riscos ergonômicos. Participar do evento no Maranhão foi muito importante para acompanhar in loco a aplicabilidade prática da tecnologia e a sua contribuição para a ergonomia a nível nacional na indústria”, afirmou a ergonomista, que coordena o setor no SESI-BA.