“A novidade do desfile das brincadeiras joaninas, pela Rua Grande, na tardezinha da sexta-feira, depois de se concentrarem na Deodoro, terminando na Praia Grande, no meu entendimento,ou ponto de vista, tudo falta de descortino ou de conhecimento do assunto, por parte das autoridades enganchadas na Secma (Secretaria da Cultura do Estado) e, por sua vez, por donos ou dirigentes dos brinquedos, famosos ou novatos, que fariam bonito se se impusessem, fazendo honra para a sua dignidade! Era de esperar-se essa miudeza de um operador de Raio X guindado ao mais alto cargo da Cultura Maranhense substituto de um lambe-lambe de repente titular da Secma e que passaria como o melhor de todos os tempos, por escribas capachos, se almas alterosas, dentre as quais me incluir, não o colocassem no buraco devido de mero patrocinador do famigerado Rachid Abdalla, pagando alto para bandas e cantores forasteiros prejudicarem os talentos musicais nativos, sem voz e vez! Isso jamais aconteceria, e nunca aconteceu, se estivessem na frente da Secma figuras relevantes de fato e de direito qual D. Zelinda Lima, hoje, do alto dos seus 100 Anos de vida, com encanto e lucidez, e Valdelino Cecio e Michol Carvalho, estes saudosos, e que nunca submeteriam a essa pequenez grandiosos da alteza de Leonardo Santos (Boi de Zabumba da Liberdade), Apolonio Melonio (Boi da Floresta/São João Batista/Baixada), e Hermenegildo Tibúrcio da Silva/Tabaco, Alfredo Louzeiro e Ornilo Muniz, meu primo mais velho pelo lado materno (Boi da Madre de Deus), dentre muitos bons exemplos. Quebrando a rotina —– Elogiei diversas em jornais, brincando na Rua Grande, de tarde, foi o Boi Mocidade de Rosário, comandado pelos boieiros de proa Luzian Fontes e Hamilton Misteira, cantado por Moura e animado por clarins afinados e vaqueirada vibrante, anunciando que a temporada vinha muito forte e entusiasta. Mereceram os aplausos de balconistas e lojistas, e assim a trupiada de orquestra rosariense ia ao Abrigo do Largo do Carmo. Era mesmo bonito de se ver! Pensam nos de fora e poderiam desfilar! —- Se na Secma prometeram pagar direitinho o devido das chamadas, sem demora, ou com mais esse desfile extra, muito cuidado! Os queridinhos de receberem dinheiro na hora, por causa do Rachid Abdalla, na boca do povo, são os mesmos: Gustavo Lima, cantor sertanejo, entre eles, com que os advogados Josemar Pinheiro e Gilmar Pereira Santos, em Defesa do Povo Maranhense, protestaram judicialmente, no ano passado, ali, contra o prefeito de São Luis, e perdemos a causa! Os artistas que ganham muito bem por duas horas de palco deveriam desfilar na Rua Grande em vez das nossas brincadeiras juninas com mais cara de fazer a alegria do novo mandante da Secma, que recebeu de bandeja um inesperado bilhete premiado! Folclorista e intelectual —- Sei do que estou falando como folclorista, e intelectual, jornalista e escritor, iniciando matraqueiro, bem jovem, nas fileiras do Boi da Madre de Deus, onde, comprovadamente, ninguem o ajudou mais e melhor, inclusive com Associação Cultural criada em 5 de marco de 1988. Posteriormente, auxiliei na ABMI (Associação dos Bumba-Bois do Maranhão na Ilha), que gerenciou o Parque do Folclore da Vila Palmeira, em regime de comodato pelo Governo do Estado, beneficiando os bois de todos os sotaques com barracas para movimentarem! Se unirmos mais, os que nem sequer sabem Cultura quanto Alma do Povo, na Secma, nem pensariam em fazer de novo filas de brinquedos passando pela Rua Grande na tarde de sexta-feira, enquanto são bonitos de se ver se exibindo para todo mundo apreciar nos terreiros, palcos e arraiais! Vivam os nossos bumba-bois!”
(*) Jornalista, poeta, prosador, carnavalesco, compositor, pesquisador e folclorista maranhense.
