ROSÁRIO – A produção cerâmica de Rosário, na região do Munim, recebeu um reconhecimento inédito no Maranhão. O município obteve do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), para a produção de cerâmica. É a primeira Indicação Geográfica reconhecida no estado.
O registro foi solicitado pela Associação dos Oleiros de Rosário (ASSOR), com apoio do Sebrae Maranhão. A certificação reconhece a relação entre a produção cerâmica e o território de Rosário, onde a atividade é desenvolvida há gerações.
A argila encontrada na região é utilizada na fabricação de diferentes produtos, como filtros, vasos, potes, manilhas e outras peças. O trabalho envolve conhecimentos transmitidos entre os oleiros, desde a preparação do barro até o uso do torno e a queima das peças.
O que é a Indicação Geográfica
A Indicação Geográfica é um registro que relaciona determinado produto à sua origem geográfica, considerando a reputação ou características associadas ao território.
No caso de Rosário, o reconhecimento permite que a cerâmica produzida no município seja identificada oficialmente com a origem e a tradição local.
Segundo David Amorim, gerente da Unidade Regional do Munim-Baixo Itapecuru do Sebrae, o processo de reconhecimento partiu de uma atividade que já possuía história e características próprias.
“O primeiro passo foi entender que os oleiros já tinham aquilo que era mais importante: uma história, um saber fazer e uma produção reconhecida em Rosário. O nosso papel foi ajudar a organizar esse conhecimento e transformar tudo isso em um processo capaz de ser apresentado ao INPI”, explica.
Tradição mantida pelos oleiros
À frente da ASSOR e do pedido de registro está Amarildo Silva, que aprendeu o ofício trabalhando em uma olaria. Ele começou como diarista, preparando a argila e dando acabamento às peças, até se interessar pelo trabalho realizado no torno.
“Via aquela roda girando, aquela mão transformando nada em tudo, e fiquei encantado”, contou.
Com o tempo, Amarildo aprendeu técnicas tradicionais utilizadas pelos mestres oleiros da região, como identificar o ponto da argila, trabalhar no torno e controlar o tempo de queima.
O artesão também passou a desenvolver peças com características mais contemporâneas, mantendo as técnicas tradicionais. “Isso ajuda a tradição a não ficar parada no tempo, a se renovar”, afirmou.
Reconhecimento pode abrir novos mercados
Além de identificar a origem da produção, o registro pode contribuir para ampliar a visibilidade da cerâmica de Rosário e criar novos diferenciais para a comercialização das peças.
A certificação também pode aproximar a atividade do turismo, já que o município está localizado no caminho de quem segue em direção aos Lençóis Maranhenses. A produção das olarias pode, nesse contexto, se tornar mais um elemento de identidade e atração para visitantes.
Para os oleiros, outro desafio é garantir a continuidade da atividade. Amarildo defende a criação de espaços para que novos aprendizes tenham contato com o ofício e possam aprender diretamente com os mestres da região.
“Eu sou a prova de que o barro dá futuro”, afirmou. A expectativa é que o reconhecimento contribua para fortalecer a atividade e estimular a transmissão dos conhecimentos da cerâmica entre diferentes gerações.

