19/04/2024

Unidos de Padre Miguel vence a Série Ouro do carnaval carioca

A Unidos de Padre Miguel foi a campeã da Série Ouro do carnaval do Rio de Janeiro e conquistou o direito de se juntar à elite das escolas de samba em 2025, o Grupo Especial. O resultado foi conhecido  depois da apuração na Cidade do Samba, na região portuária da cidade.

O desfile da escola da zona oeste do Rio foi considerado praticamente perfeito pelos jurados. Apenas uma nota 9,9 no quesito enredo. Todas as demais foram 10. Mas como todas têm direito a descartar a menor nota em cada quesito, a agremiação recebeu a pontuação máxima possível: 270.

Dois décimos atrás, veio a Império Serrano, que terminou na segunda colocação. Na sequência, vieram Estácio, União de Maricá e São Clemente. Com as menores pontuações da apuração, Império da Tijuca (268,1) e Sereno (267,9) foram rebaixadas e vão desfilar na Série Prata no ano que vem.

Ao todo, 16 escolas se apresentaram na Marquês de Sapucaí pela Série Ouro, organizada pela Liga Independente do Grupo A do Rio de Janeiro (Liga RJ). Horas antes da apuração o quesito harmonia foi sorteado como critério de desempate. Além dele, foram julgados: fantasias, enredo, samba-enredo, evolução, comissão de frente, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços.

Quinta escola a se apresentar no segundo dia de desfiles, no sábado (10), a Unidos de Padre Miguel trouxe para a avenida enredo com título: “O redentor do sertão”, liderado pelos carnavalescos Lucas Milato e Edson Pereira. Em destaque, Padre Cícero, um dos mais importantes sacerdotes católicos do Brasil.

A história do “Pade Ciço” foi contada a partir do imaginário do povo nordestino, explorando as questões místicas em torno dele. Ao falar do nascimento do sacerdote, lembrou, por exemplo, como muitos o consideraram uma representação do próprio Deus cristão. O samba também destacou como o milagreiro foi sensível às dificuldades do sertanejo, entre outras questões, como a seca e a fome.

10 anos à espera do título

O título da Unidos de Padre Miguel – conhecida na chamada “bolha carnavalesca” pela sigla UPM – chega finalmente após uma espera de mais de 10 anos. Desde que subiu para a principal divisão de acesso, na época chamada Série A, em 2013, a escola foi vice-campeã cinco vezes.

Em um deles, no Carnaval de 2018, a bronca com mais um segundo lugar foi tão grande que a equipe da escola sequer subiu ao palco da Praça da Apoteose para pegar o troféu de segundo lugar – o título foi para a Viradouro.

Em 2017, em mais um desfile cercado de expectativa, a Unidos viveu um drama: a porta-bandeira Jéssica Ferreira torceu o pé durante uma apresentação e deixou a Sapucaí no meio do desfile, chorando de dor. A escola ficou em 4º lugar.

Outra marca da escola é que costuma mostrar um visual opulento, contrastando com algumas agremiações com menos recursos. A diferença algumas vezes foi tão grande que a crítica especializada chegava a classificar os desfiles da UPM como “de Grupo Especial”.

Em 2025, será a chance da escola mostrar que merecia subir, e fazer um desfie não “de”, mas no Grupo Especial.