23/04/2026

V Mostra Aquilombando Cenas – I Teia de Encantar Histórias Negras e Indígenas acontece de 06 a 09 de maio, em São Luís e no município de São José de Ribamar (MA), reunindo artistas negros e indígenas em uma programação gratuita voltada às artes cênicas.

A V Mostra Aquilombando Cenas – I Teia de Encantar Histórias Negras e Indígenas acontece de 06 a 09 de maio, em São Luís e no município de São José de Ribamar (MA), reunindo artistas negros e indígenas em uma programação gratuita voltada às artes cênicas. O projeto, criado em 2020, chega à sua quinta edição ampliando sua atuação com a realização do primeiro encontro de contadores de histórias negros e indígenas no Maranhão. A programação inclui espetáculos teatrais, performances, contações de histórias, cenas curtas, oficinas e rodas de conversa, ocupando o Centro Histórico de São Luís, escolas públicas e o Território Indígena Tremembé.

Com ações acessíveis em Libras e atividades em diferentes territórios, a Mostra promove circulação artística, formação de público e valorização de produções negras e indígenas, fortalecendo a cena cultural local e nacional.

2. SERVIÇO, PRODUÇÃO E PARCERIAS
Evento: V Mostra Aquilombando Cenas – I Teia de Encantar Histórias Negras e IndígenasData: 06 a 09 de maio
Locais: Centro Histórico de São Luís, escolas públicas e Território Indígena Tremembé (São José
de Ribamar – MA)
Acesso: Gratuito
Realização: Edital 19/2024 – Mais Festivais e Mostras SECMA | Lei Paulo Gustavo
Apoio: Ministério da Cultura – Governo Federal
Parcerias: CACEM, PEADS e Chão SLZ
Produção Executiva: Nilce Braga
Curadoria: Amõkanewy Kariú, Nádia D’ Cássia, Nilce Braga e Renato Guterres

3. PROGRAMAÇÃO
06 e 07 de maio
• Oficina “Escrita e Interpretação em SLAM” – Brena Maria
9h às 11h | PEADS – Sacavém
07 de maio
• Oficina “Práticas de Alembramento” – Tiyê Macau
9h às 12h | Tapete Criações Cênicas
• Contações de Histórias
“No Tempo das Malocas – Mitos Anapururetama” – Lucca Anapuru
“Crow Jaren Xà – História do Buriti” – Dermival Canela
10h | Liceu Ribamarense
• Rito de Abertura
16h | Chão SLZ
• Espetáculo “Ané das Pedras” – Coletivo Flecha Lançada Arte
16h30 | Centro Histórico
• Contação “Quatro Mestres” – Urias de Oliveira
• Cenas Curtas:
“Canto Maresia” – Brena Maria
“Palavra Não Dita” – Aline Coutinho
19h | PEADS – Sacavém
08 de maio
• Contos Tradicionais Tremembé
• Performance “Ané das Pedras”
• Toré (ritual indígena)
15h / 16h / 17h | Território Indígena Tremembé
• Cenas Curtas:
“Grafar no Tempo a Memória do Amanhã” – Abeju Ara
“Abayomi” – Ayanna Monteiro, Jennifer Froes e Katryne Furtado
“Língua de Boi” – Cia Maranhense
19h | Xama Teatro
09 de maio
• Oficina “Escutar as Pedras – a performatividade da memória na cena” – Bárbara Kariri
9h às 13h | CACEM
• Feirinha de produtos locais
17h | Xama Teatro
• Palestra Peformance
“NIÑ(H)O ou Uma Casa Provisória para o Nascimento do Invisível” – Tiyê Macau
19h | Xama Teatro

CONTEXTO, IMPORTÂNCIA E IMPACTO
A V Mostra Aquilombando Cenas – I Teia de Encantar Histórias Negras e Indígenas se afirma como uma ação cultural com forte dimensão política no Brasil contemporâneo. Em um estado como o Maranhão, onde a maioria da população é negra e há ampla presença indígena, o projeto evidencia uma contradição histórica: essas populações ainda são sub-representadas nos espaços de criação e circulação das artes cênicas. Ao longo de suas edições, a Mostra se consolidou como espaço de visibilidade e fortalecimento de produções negras. Nesta quinta edição, ao integrar de forma estruturante o protagonismo indígena, amplia seu alcance simbólico e político ao propor a confluência entre aquilombamento e aldeamento, um gesto que rompe com lógicas coloniais e afirma a potência conjunta de saberes ancestrais.

A realização da I Teia de Encantar Histórias Negras e Indígenas reforça a oralidade como tecnologia de memória, educação e resistência, valorizando mestres, griots e contadores de histórias como guardiões de saberes fundamentais para a continuidade cultural desses povos. Alinhada a diretrizes das políticas culturais brasileiras, como a democratização do acesso, a diversidade e o fortalecimento da economia criativa, a Mostra, viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, atua diretamente na reparação de desigualdades históricas ao ampliar o acesso de artistas negros e indígenas a recursos, espaços e público. Ao ocupar o Centro Histórico, periferias, escolas e o Território Indígena Tremembé, o projeto descentraliza a arte, forma público e fortalece redes culturais. Seu caráter arte-educativo articula criação e formação por meio de oficinas, contações de histórias e debates, promovendo reflexão crítica sobre identidade, racismo, território e ancestralidade.

Além disso, gera impacto econômico ao movimentar a cadeia produtiva cultural e valorizar produções locais, incluindo saberes, alimentos e artesanatos indígenas e quilombolas. A presença no território Tremembé também amplia a visibilidade das lutas indígenas, reafirmando a cultura como instrumento de resistência e defesa de direitos. Mais do que uma mostra, trata-se de um espaço de articulação, memória e futuro, onde arte, política e ancestralidade se encontram para reposicionar narrativas e fortalecer a centralidade de artistas negros e indígenas na cena cultural brasileira.