21/05/2024

A trajetória de Nei Lopes, que aos 80 anos é enfim aceito como pensador negro

Por Luiz Fernando Vianna; Especial Para O GLOBO

Foram muito especiais as duas homenagens que Nei Lopes recebeu no carnaval de abril. O Salgueiro pôs sua foto numa das placas dedicadas a grandes salgueirenses. E a Beija-Flor usou obras suas como referências para as fantasias da bateria: o livro de poemas “Poétnica” (2014) para a rainha Raissa de Oliveira e o “Dicionário social do samba” (2015, feito com Luiz Antonio Simas) para os ritmistas. Serviram como presentes pelos 80 anos que o compositor e escritor completa hoje. Apaixonado pela história das escolas de samba, ele diz que “andava muito desesperançado”.

— Fiquei impressionado com a profundidade da homenagem da Beija-Flor. Ela me fez ver que está nascendo um elenco de carnavalescos que são efetivamente transmissores de conhecimento, com enredos seriamente pesquisados, como no caso da Grande Rio. Tive a perspectiva de que as escolas de samba podem desempenhar o papel cultural, educacional e político que sempre esperamos — anima-se.

Adeus, advocacia

Além da agenda cheia pelas celebrações da data redonda, Nei tem visto sua obra e suas ideias serem mais aceitas no meio acadêmico. Sambista que largou cedo a vida de advogado e que não construiu carreira nas universidades, passou muito tempo sem ser levado a sério.

— O reconhecimento que eu estou começando a ter agora vem, sobretudo, de excelentes estudantes e professores beneficiados pela política das “cotas” — acredita ele, pondo aspas na palavra mais usada para se falar das políticas de ações afirmativas. – Aliás, talvez fosse melhor dizer representatividade em vez de reconhecimento. Ser reconhecido é fazer sucesso, ter fama, o que não é o meu caso.

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