22/02/2024
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Dia Municipal do Bloco Tradicional será comemorado no Rio Anil Shopping e na Madre Deus

Para festejar com a sonoridade dos contratempos e retintas

O Dia Municipal do Bloco Tradicional será comemorado com missa na Catedral Metropolitana de São Luís
08/05/2013  
 
Caderno Alternativo, Jornal O Estado do Maramnhão
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No Maranhão, eles se subdividem em mais de 52 grupos e têm uma batida peculiar que os tornam diferentes de todas as outras manifestações folclóricas. Os Blocos Tradicionais também têm um dia especial: 8 de Maio, instituído por Lei Municipal no ano de 2008. A data será festejada com missa na Catedral Metropolitana de São Luís, às 17h, e batucada pelas ruas do Centro, às 21h, além de apresentações no Rio Anil Shopping (Av. São Luís Rei de França). O dia 8 de Maio foi batizado como Dia Municipal do Bloco Tradicional por ser a data de nascimento do mestre Walmir Moraes Corrêa (já falecido), que foi presidente do bloco Os Foliões. 
Segundo Paulo Salaia, presidente de Os Feras, a data não poderia jamais passar em branco, face à importância dos blocos tradicionais para a cultura maranhense, apesar do tímido incentivo dos órgãos públicos e da escassez de patrocínio. Problemas à parte, o Dia Municipal do Bloco Tradicional será festejado ao som dos tambores contratempo, retintas e ganzás na Madre Deus.
Às 21h, integrantes de Os Feras desfilarão em batucada conclamando os moradores para aderirem à festa. A concentração será em frente ao restaurante Cantina da Madre, no Largo do Caroçudo. Depois, eles sairão em cortejo até a sede do grupo, na Praça da Saudade. Antes, no entanto, por volta das 17h, será celebrada missa em ação de graças na Catedral Metropolitana de São Luís.
No Rio Anil Shopping, a Associação Maranhense de Blocos Carnavalescos mobilizará, às 19h, alguns de seus representantes para apresentações aos frequentadores do shopping, entre eles Os Foliões, Os Brasinhas, Os Vampiros, Os Tremendões e Os Apaixonados. Haverá ainda exposição de fantasias. Em seguida, esses mesmos grupos deverão se juntar a Os Feras na Madre Deus. “Hoje é um dia para festejarmos, afinal os blocos tradicionais são grupos expressivos em nossa cultura e se mantêm fiéis à tradição”, destacou Paulo Salaia.
Paulo Salaia diz que, nesses anos todos, o maior entrave para os blocos tradicionais tem sido patrocínio. “Hoje, as autoridades dão mais destaque para o bumba meu boi. No entanto, não deixamos a tradição morrer. Os Feras, por exemplo, já fez várias viagens e provou que lá fora somos ainda mais valorizados. Ano passado, pela segunda vez, representamos o maranhão no Carnaval das Culturas do Mundo, no Arco da Lapa, no Rio de Janeiro, com um cortejo também em Copacabana”, relembrou Salaia. 
História 
Os blocos tradicionais foram organizados na primeira metade do século XX e por muito tempo ficaram conhecidos como blocos de ritmo, principalmente pela cadência marcada pelos instrumentos predominantes em sua percussão. No entanto, somente entre as décadas de 1930 e 1970 é que aconteceu o apogeu da manifestação. Além de ser marcada pelo som peculiar dos contratempos, a musicalidade vem dos sons das marcações, retintas, cabaças, reco-recos, agogôs, ganzás, maracás, rocas, afoxés e apitos.
O som resultante favorece a fusão com diversos estilos musicais, que animam a dança dos tocadores e demais brincantes, chamados balizas, os quais realizam coreografia de forma saltitante. Atualmente, cada bloco escolhe um tema, que serve de inspiração para a composição das letras dos sambas e para a criação das fantasias. A pesquisa e o Inventário dos Blocos Tradicionais do Maranhão foram iniciados no dia 8 de maio de 2009, sendo entregues formalmente ao Iphan como parte das comemorações pelo Dia Municipal do Bloco Tradicional.
Dia Municipal dos Blocos Tradicionais
 
Para William Moraes Corrêa, do bloco Os Foliões, o Dia Municipal do Bloco Tradicional é uma conquista de todos aqueles que fazem a manifestação folclórica no Maranhão. No entanto, assim como Paulo Salaia, William Moraes sente falta de um apoio maior dos gestores públicos, inclusive em relação a essa data, uma vez que, por falta de incentivo, as comemorações não correspondem à grandeza da manifestação folclórica e de sua expressividade no cenário cultural local. “Nós sabemos que não podemos contar somente com o poder público. A partir do ano que vem, acreditamos que essa comemoração será melhor, pois iremos mobilizar todos os grupos”, adianta Moraes.

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