27/02/2024
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Enfim vão sair as reformas das praças Deodoro e Pantehon

Reforma das principais praças do Centro serão feitas pelo Estado

Projeto de recuperação da Deodoro e Pantheon foi feito pelo Iphan e inserida no PAC Cidades Históricas.
19/05/2013 
Em parceria com o governo estadual e a Prefeitura de São Luís, o Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) elaborou um projeto de recuperação para as duas praças, que propõe a destinação de R$ 6 milhões em verbas federais para serem investidas em obras de restauração dos logradouros históricos. De acordo com a superintendente do Iphan, Kátia Bogéa, a proposta está inserida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, que aguarda aprovação da presidente Dilma Rousseff, para dar continuidade e início das intervenções nos espaços públicos.
Kátia Bogéa explicou que serão necessárias contrapartidas tanto do Município quanto do Governo do Estado para que o projeto siga em frente e as áreas sejam recuperadas. A realização do projeto caberá ao poder estadual, enquanto a Prefeitura de São Luís deve acelerar a retirada dos ambulantes que tomaram a área e encontrar um destino para suas barracas. “Para que as obras de reformas que deverão ser coordenadas pelo Governo do Estado sejam iniciadas, é preciso que o Município encontre um local para remanejar os ambulantes”, explicou.
Obra – A responsabilidade pela reforma das praças ficará a cargo do Governo do Estado, por meio da Superintendência do Patrimônio Cultural do Maranhão, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura. O órgão contratará uma empresa para fazer a recuperação dos espaços e ainda fiscalizará as obras. O investimento estadual será de cerca R$ 10 milhões, segundo previu a superintendente do Patrimônio Cultural do Estado, Andréa Vasconcelos.
O Governo do Estado já iniciou a formação da comissão, que fará a licitação para contratação de empresas. O órgão responde pela recuperação de aproximadamente 4 mil imóveis instalados na área de tombamento estadual, que vão receber investimento do PAC Cidades Históricas. O Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Maranhão (DPHP) será o responsável pela verificação das obras e da contratação de uma equipe especializada para o trabalho.
Segundo Andréa Vasconcelos, as empresas que serão contratadas deverão ter pré-requisito mínimo de experiência de 15 anos no trabalho de recuperação e restauração de bens históricos e artísticos. A preocupação reforça a necessidade de um trabalho projetado para não descaracterizar os logradouros. “Precisamos de uma empresa bem escolhida para realizar o processo de restauração das praças. Elas são um patrimônio e há limitação para intervenções na estrutura das obras. Temos de ter atenção para que os projetos não descaracterizem os espaços históricos”, explicou a superintendente, que ainda ponderou a necessidade de contratação de engenheiros e arquitetos envolvidos com o trabalho de restauração de bens históricos há pelo menos 15 anos.
Uma das grandes preocupações da proposta de reforma que será pleiteada pelo Governo do Estado é a questão da acessibilidade. Tornar os prédios históricos pontos de acesso a todas as pessoas, com deficiência ou não, foi um dos pontos salientados pela superintendência. “Queremos que os direitos de acesso ao patrimônio público estadual sejam mantidos e vamos exigir que o projeto de reforma da praça esteja focado nesse ponto”, disse Vasconcelos.
Recuperação – Em nota, a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços (Semosp), informou que já está recuperando as praças do Centro. Segundo o órgão, os serviços foram iniciados pela Praça João Lisboa e Pedro II. Sendo assim, todas as outras receberão os serviços de recuperação e reforma, que estão em fase de elaboração de projetos para aquisição de recursos.
Quanto aos buracos, a Semosp informou que desde o começo da semana o serviço de pavimentação no Centro tem sido realizado por equipes noturnas, medida tomada por precaução considerando o grande fluxo de carros e ônibus na área durante o dia. Na Rua Grande, o problema é calçamento. A Semosp esclareceu que também já foi iniciado serviço em outras ruas do Centro e que a Rua Grande receberá as equipes, conforme programação elaborada pela secretaria.

Rua Grande necessita de reforma

Principal via do comércio no Centro, a Rua Grande é outro ponto com necessidades urgentes de reforma. Buracos colocam em risco a integridade física de transeuntes que circulam pela rua todos os dias. Vigas enferrujadas da estrutura das calçadas ficam à mostra e podem arranhar ou ferir os desavisados. São buracos que tomam quase toda a largura do acostamento, onde os pedestres jogam lixo.
Os esgotos ficam expostos e água da chuva empoça em alguns pontos. Os paralelepípedos que caracterizam a rua histórica estão desarticulados por causa do transporte de produtos em carros pesados. As pessoas apressadas precisam se desviar para evitar acidentes e acabam esbarrando uma nas outras. A situação piora quando se aproximam datas comemorativas, quando é maior a movimentação no comércio, como recentemente ocorreu no Dia das Mães.
Na Praça da Alegria, os problemas estruturais são semelhantes. O calçamento está quebrado. Com as lixeiras danificadas, o lixo se acumula pelas ruas. No local, há diversos traileres e transformam o espaço em uma área de alimentação. Os bancos, antes utilizados por casais de namorados, estão quebrados e as árvores há anos não são podadas. Sem grama, os canteiros estão longe de parecer área componente de um lugar de lazer e descanso.
Para a servidora Andressa Diniz, de 56 anos, o estado de abandono do espaço é resultante da falta de cuidado que os últimos gestores de São Luís manifestaram em sua administração. “Há anos a cidade tem visto suas construções históricas ruírem. Isso é lamentável”, afirmou.

Bustos do Pantheon

Uma referência ao passado glorioso da Athenas Maranhense, codinome dado a São Luís por ter sido o berço de nascimento e formação de muitos nomes importantes da literatura e outras artes brasileiras, a Praça do Patheon mantinha até a última década expostos os bustos de escritores famosos, poetas e jornalistas, filhos da capital do estado. Porém, as esculturas foram retiradas desde que passaram por uma reforma em outubro de 2005.
Depois da restauração, realizada por meio da Academia Maranhense de Letras, a instituição determinou que as obras de arte não seriam devolvidas para a praça, até que ela fosse reformada e fosse mantida em segurança, longe da ação de pichadores e outros vândalos. Os bustos são de Gomes de Castro, Urbano Santos, Maria Firmina dos Reis, Bandeira Tribuzi, Arnaldo Ferreira, Silva Maia, Coelho Neto, Gomes de Sousa, Clodoaldo Cardoso, Henriques Leal, Arthur Azevedo, Humberto de Campos, Corrêa de Araújo, Raimundo Correia, Dunshee de Abranches e Nascimento de Morais.
Atualmente, eles estão mantidos em segurança no jardim do Museu Histórico e Artístico do Maranhão, situado na Rua do Sol, no Centro, distante de seu local de origem. A ação motivou ao longo dos últimos anos protestos de diversos artistas, que queriam o retorno dos bustos e cobram a reforma do logradouro. A cobrança foi rebatida pelo acadêmico Jomar Moraes em diversas crônicas publicadas em O Estado. Jomar Moraes se opõe ao retorno dos bustos até que haja segurança para as peças de arte. Ele criticou o movimento daqueles que pedem as peças no lugar de origem na atual situação do espaço. As bases dos bustos estão destruídas. Nelas, os vendedores ambulantes colocam vasos de plantas e outros produtos. Jomar Moraes questionou: “Qual a razão de esses mesmos indivíduos desejarem que os bustos sejam removidos do local onde gozam de respeito, incolumidade e segurança, para um espaço conspurcado por dejetos e outras imundícies?”.

Sobre a Praça do Pantheon

Praça do Pantheon – Localiza-se em frente à Biblioteca Pública do Estado, onde outrora existiu o Quartel do 24º Batalhão de Caçadores. Tem como limites, ao norte e sul, as avenidas Silva Maia e Gomes de Castro, ao nascente e poente o Parque Urbano Santos e a Praça Deodoro. Nela figuravam os bustos de Gomes de Castro, Urbano Santos, Maria Firmina dos Reis, Bandeira Tribuzi, Arnaldo Ferreira, Silva Maia, Coelho Neto, Gomes de Sousa, Clodoaldo Cardoso, Henriques Leal, Arthur Azevedo, Humberto de Campos, Corrêa de Araújo, Raimundo Correia, Dunshee de Abranches e Nascimento de Morais.

Sobre a Praça Deodoro

Praça Deodoro – Fica localizada no centro da cidade, foi chamada antigamente de Largo do Quartel, por causa da existência do quartel do Exército no local onde hoje fica a Biblioteca Pública Benedito Leite. Em seguida foi denominada de Praça da Independência, de acordo com Lei Municipal de 15 de Agosto de 1868. O espaço passou por amplas reformas. Hoje é conhecida como Praça Deodoro, homenagem da municipalidade a Marechal Deodoro da Fonseca, homem que se destacou à frente do movimento republicano, dando o golpe de misericórdia no regime monárquico.
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Praças do Centro de São Luís estão tomadas por ambulantes

Abandonados pelo poder público, logradouros históricos foram invadidos e maltratados pelo comércio ambulante.
André Lisboa
Da equipe de O Estado
19/05/2013 
Barracas de venda espalhadas por todos os cantos, lixo acumulado em sacos e no chão, produtos de muitas variedades, pessoas passando por todos os lados, motocicletas estacionadas sobre os canteiros, árvores velhas e calçadas danificadas. Não se trata de uma feira livre em um espaço desocupado, não se trata de uma área abandonada ou de uma favela. Em frente à Biblioteca Pública do Estado Benedito Leite, em um dos pontos mais conhecidos da cidade de São Luís, estão a Praça do Pantheon e a Praça Deodoro tomadas por ambulantes e esquecidas pelo poder público.
São grandes os danos ao calçamento da Praça do Pantheon, que causam dificuldades para o trânsito de pedestres. Rachaduras expõem terra e dão espaço ao crescimento de ervas daninhas que se fortalecem e aceleram o processo de destruição do piso centenário. Veículos têm de enfrentar buracos nas vias. Na Avenida Silva Maia, um buraco com aproximadamente dois metros de diâmetro dificulta a travessia de ônibus e carros.
Os ambulantes ocupam todo o espaço da Praça do Pantheon. Em barracas com lonas de diversas cores, vendem plantas, peças artesanais, guarda-chuvas, acessórios para celulares, chapéus e outros utensílios. Vendedores dividem espaços com os pombos alimentados pelos restos de comida que caem das muitas barracas que comercializam almoço e lanche instaladas no local. Cadeiras, mesas e carrinhos de sorvete ficam na frente das vielas da praça.
Em cada canteiro há um setor comercial diferenciado. Uma árvore situada em frente ao prédio da Biblioteca Benedito Leite está seca e pode cair a qualquer momento sobre a cabeça de um transeunte desatento ou uma banca de ambulante. As raízes da planta, já morta, invadiram a calçada. Ela foi podada, porém nunca foi retirada do local pela Prefeitura de São Luís, responsável pelo cuidado com os canteiros.
Motociclistas – a maior parte donos das barracas e tendas ambulantes -mantêm seus veículos estacionados nas vias e nos canteiros da praça, escondidas atrás das lonas de suas bancas.
Descaracterização – Na Praça Deodoro, o abandono ao patrimônio público está à mostra. Os problemas estruturais são os mesmos da Praça do Pantheon. Não há banheiros públicos ou outros serviços além da venda de bugigangas ou estacionamento mantido pela fiscalização insegura de flanelinhas. Blocos de pedra de cantaria de valor inestimável – utilizada para firmar a base de imóveis históricos, que viraram apoio para bancas, servem para pessoas que jogam baralho em frente a um ponto de taxi-lotação.
As árvores velhas são usadas para o depósito de lixo e como mictório para homens, que não têm acesso a lavabos químicos, disponíveis somente quando são realizados eventos culturais. “Todo esse lugar está uma bagunça. Falta manutenção. Os ambulantes atrapalham a visão e a passagem. Queríamos que fosse um espaço mais bem conservado, mas acaba atraindo todo tipo de marginal e de desocupados”, afirmou a comerciária Edilene Arruda Santos.
A ocupação desenfreada dos ambulantes e os danos estruturais nas duas praças resultam na descaracterização dos logradouros e na aceleração de sua destruição. O processo foi iniciado quando a Prefeitura de São Luís, em 1990, liberou a venda de comércio ambulante na área. A permissão foi feita sem um ato legal e tornou o espaço conhecido como a Praça do Camelô, antes um belo logradouro para homenagear o Marechal Deodoro da Fonseca, que declarou a instituição da República no Brasil.
Turistas – Vinda de São Paulo, onde está radicada há 23 anos, a família maranhense Monteiro visitou as praças Deodoro e do Pantheon. Tiraram fotografias, gravaram vídeo, mas não reconheceram o espaço. A depredação do espaço público ficou registrada em suas fotografias e preocupou os maranhenses Lourival e Luzia. Naturais de São Luís, eles foram buscar uma vida com mais oportunidades na capital paulista e sempre trazem os filhos nascidos fora da Ilha para conhecer a sua cultura, porém ficaram decepcionados com a situação dos logradouros.
Três filhos acompanhavam o casal. Viram os buracos, a invasão dos camelôs e ainda os problemas no trânsito e reclamaram. “Não acredito que deixaram esses pontos ficarem desse jeito. Essas duas praças
eram lindas há 30 anos e agora estão sendo usadas como comércio. São Luís é uma cidade rica culturalmente, mas sinceramente vemos que o desrespeito ao patrimônio tem aumentado”, disse Luzia Monteiro, de 45 anos. O marido questionou o que se pode fazer para recuperar. “É preciso que se recupere. Vamos para fora e falamos que viemos de um lugar lindo e histórico. As pessoas precisam conservar nossa riqueza e o governo precisa agir para recuperar nossos cartões-postais”, disse o eletricista, de 50 anos.

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