22/02/2024
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Estudante coloca hino de time de futebol na redação do Enem

FLÁVIA FOREQUE

DE BRASÍLIA

Num universo de 4,1 milhões de redação do Enem 2012, cerca de 300 textos apresentaram algum tipo de “inserção indevida”: trechos aleatórios e citações desconexas com o tema do ano passado –movimento imigratório para o Brasil no século 21.
A irreverência do aluno, no entanto, não justifica uma nota zero, afirma o Inep, órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame.
Um aluno que usou um trecho de hino do Palmeiras em um dos parágrafos da prova recebeu nota 500, por exemplo. A nota máxima é 1.000.
“As capitais, praias e as maiores cidades são os alvos mais frequentes dos imigrantes, porque quando surge o alviverde imponente no gramado onde a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente e que a dureza do prélio não tarda”, afirma trecho do texto, em referência ao hino do Palmeiras.
A homenagem ao time ocupou parte de um dos quatro parágrafos do texto –os demais, seguiram o tema sugerido. Para o Inep, as palavras e expressões usadas estão “em estilo inadequado” e por isso o aluno foi penalizado.
“Retirando-se do texto os trechos do hino transcrito pelo participante, ainda restaram ideias e argumentos aproveitáveis ao desenvolvimento do tema”, afirma nota técnica do órgão a qual a Folha teve acesso.
“A nota final, relativamente baixa, deve-se também aos numerosos erros de adequação da linguagem à escrita padrão”, completa a nota
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RECEITA

Argumento semelhante foi dado para justificar a pontuação de redação que citou receita de Miojo, como revelou ontem o jornal “O Globo”. A escolha do aluno foi considerada “inoportuna e inadequada” –a pontuação final nesse caso foi 560.
“Acrescente-se ainda que o texto, em sua totalidade, não fugiu ao tema, e não feriu os direitos humanos. Tampouco cabe dizer que o participante teve a intenção de anular sua redação, uma vez que dissertou sobre o tema e não usou palavras ofensivas”, justificou o MEC.
Professores de redação, entretanto, ponderam que a nota dada ainda é muito alta. “No mínimo, o aluno não está levando a sério o trabalho de avaliação do Enem, o que já deveria ser motivo de repreensão”, afirma Waldson Muniz, professor de português do ensino médio do colégio Galois, em Brasília.
“E ele fugiu completamente do assunto. É como se eu estivesse numa entrevista e começasse a falar de futebol. Onde está a sequência do raciocínio?”, questiona.

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