19/06/2024

SAMBA, FATOS E ARGUMENTO!

Por Joãozinho Ribeiro(*)

No princípio era o verso e o verso se fez África, e a África se fez samba. Atravessou os sete mares e aportou no Recôncavo Baiano; de lá, foi povoar os cortiços do Rio de Janeiro, àquela época Capital Federal do nosso Brasil, que se um dia fosse um verbo só admitiria ser conjugado no plural. Ali foi discriminado, perseguido, censurado, açoitado e até assassinado mais de 1900 vezes. Sobreviveu!

Subiu o morro para se aquilombar, e depois desceu para o asfalto; coisa de preto no início, de malandros, capoeiras, das mulheres negras imortais. Hoje, um cidadão do mundo, um senhor centenário, com todo respeito e galhardia. Samba de Sinhô, de Cartola, de Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Wilson Baptista, Nelson Sargento, de Clementina de Jesus, de D. Ivone Lara, de Beth Carvalho, Clara Nunes, de Alcione Nazaré (nossa amada Marron), de Athaulfo Alves, de Noel de Medeiros Rosa, de Martinho da Vila, de Paulo César Pinheiro, de João Nogueira, de Paulinho da Viola…

E o samba vai se espalhando por todas as terras brasileiras. Chega ao Maranhão por várias mãos e vertentes, uma delas de Raimundo Messias, ancorando no João Paulo, que é testemunha do que aconteceu. Samba de Zé Pivó (verde e amarelo como nós), de Cristóvão Alô Brasil, de Sapo, Sérgio Miranda, de Patativa, de Bibi Silva (salve Cesar Teixeira!), de Luís Bulcão, de Zé Pereira Godão, de Josias Sobrinho (pra quem tiro sempre o meu chapéu!), de Chico Saldanha, de Chico Maranhão, de Chico Nô, de Fernanda Garcia, de Rosa Reis, Fátima Passarinho, Anna Cláudia, Célia Maria, Lena Machado, Anastácia Lia, Andréa Frazão, Dicy Rocha, das ilustres Brasileirinhas; samba de Vandico, de Vadeco, de Neto Peperi, de Nivaldo Santos, de Serrinha, Boscotô, Chico Chinês, de Valdinar, de Veloso, de Escrete e Olegário, de Cleto Júnior e Oberdan Oliveira, de Riba dos Palmares (grande goleador do MAC), de Luzian Filho, de Filipe Sapuca, de Quirino, de Cacá, de Zeca do Cavaco, samba de Chico da Ladeira, de Augusto Tampinha, de Betto Pereira, de Dênis do Desterro, do Mestre Antônio Vieira, de Lopes Bogéa, de Samir do cavaco, de Allysson Ribeiro, samba de Arlindo Pipiu…Samba de Joãozinho Ribeiro! Samba do Grupo Argumento!

Aproveito o texto acima, elaborado como apresentação do projeto de nossa autoria “Samba Meu”, para render uma justíssima homenagem ao trabalho maravilhosamente belo, intitulado “Samba na Terra do Tambor” do grupo Argumento. Feito com carinho, competência e uma generosidade acima dos fatos. Apesar do ditado popular afirmar que contra estes não há o que argumentar, vou na contramão desta estória, dizendo que existem de direito, de fato e de foto várias disposições em contrário … hehehe.

Em noite memorável, no Teatro João do Vale, situado no Centro Histórico de São Luís, o Grupo Argumento, tendo como representante e anfitrião o amigo e vocalista Victor Hugo, presenteou a cidade e o Brasil, com um dos melhores e mais abrangentes trabalhos de pesquisa e registro audiovisual da produção criativa do samba maranhense.

Gravado em concorridas sessões, nas dependências do antigo restaurante Armazém, localizado na Rua da Estrela, na Praia Grande, antes da pandemia de covid, o DVD foi lançado oficialmente somente no dia 29 de março, e já se encontra disponibilizado nas plataformas digitais de música.

“Samba na Terra do Tambor” faz jus ao título, com raízes profundamente fincadas nas nossas ancestralidades rítmicas, reúne grupos de samba, músicos, intérpretes e compositores de várias gerações e gêneros, compartilhando suas produções criativas, com uma pitada plural de maranhensidades.

Produzido com recursos próprios, fruto da reserva de boa parte dos cachês das apresentações do Grupo, representa um marco na forma e no conteúdo, que juntou um repertório do mais alto nível, interpretado de modo singular pelos diferentes cantores e cantoras que se associaram a ideia de apoiar a produção, como inestimáveis parceiros.

Do Maranhão para o mundo, um produto cultural digno de milhões de visualizações e compartilhamentos digitais pelo Planeta afora. De nossa parte, as mais sinceras felicitações pela honestidade e leveza do trabalho; mesmo com tantos percalços, dificuldades e limitações que um projeto desta magnitude carrega em seu bojo!
Vida longa para o Grupo Argumento!

Salve o Samba produzido no Maranhão!

(*) poeta e compositor

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