14/04/2024

Festa do Divino Espírito Santo começa nesta quarta-feira (17) em Alcântara

Começa nesta quarta-feira (17) a maior manifestação cultural da cidade de Alcântara, a Festa do Divino Espírito Santo. Rica em significados e religiosidade, a festa é uma experiência de resistência e força da comunidade. Serão 12 dias de festa com uma programação religiosa e cultural promovida pela Associação do Divino e da Cultura de Alcântara, com apoio do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secma).

A festividade percorre os becos, as ruas antigas e os casarões de Alcântara. Missas, hasteamento de mastros, ladainhas, alvoradas das caixeiras e cortejos que percorrem ruas, ladeiras, becos e casa dos moradores do município marcam o festejo. Um dos pontos altos da festa é realizado no salão nobre do Palácio Imperial de Alcântara, onde é montado um altar para apresentação dos membros da corte.

Essa pungência cultural leva milhares de visitantes da capital e de outras cidades ao município para prestigiar a festa que mistura o sagrado e o profano, além de exaltar figuras simbólicas como mordomos, caixeiras e a imperatriz do festejo.

A programação cultural desta quarta-feira (17) começa com a chegada dos mordomos e músicos ao Porto do Jacaré, às 7h30. Às 9h, ocorre o hasteamento da Bandeira do Divino e o toque do Hino Nacional; e às 15h, o levantamento do mastro do Imperador João Carlos Cantanhede. A partir de então, a Festa do Divino está oficialmente iniciada e só termina no dia 29 deste mês, com a entrega dos postos aos novos mordomos e mordomas. Os preparativos para esta grande festa são realizados ao longo do ano e toda a cidade se envolve na organização, seja nas decorações, preparação dos doces, comidas, bebidas ou na recepção aos visitantes.

O secretário de Estado da Cultura do Maranhão, Yuri Arruda, destacou a honra para a gestão estadual em patrocinar uma festa com tamanha relevância espiritual, devocional e cultural.

“A Festa do Divino Espírito Santo é religião, é tradição, é cultura, é devoção. O Governo do Estado, por meio da Secma, apoia mais um ano dessa festa que é tão importante para o Maranhão quanto para o alcantarense, que recebe nessa época tantos visitantes para celebrar esse que é o momento mais especial do ano para eles, que mexe tanto com a fé e com a devoção de um povo”, declarou Yuri Arruda.

Essa relação de paixão que os moradores possuem com a tradição também foi destacada pelo secretário de Cultura e Turismo de Alcântara, Jedson Coelho.

“A Festa do Divino para o alcantarense é mais do que uma representação de fé ou de cultura, é algo que mexe com o emocional do alcantarense. A cidade toda se engaja em prol da festa. É algo que mexe com a nossa fé, mexe com a nossa religiosidade, é devoção. É uma festa do povo feita para o povo. Nós temos os festeiros, que são as pessoas que organizam a festa junto com a coordenação da festa, além do Estado e do município, que também participam, mas boa parte da parcela de contribuição dessa festa é feita pela população alcantarense para poder melhor receber. É um dos símbolos da Festa do Divino: o receber”, disse Jedson Coelho.

Este ano, a festa destaca a figura dos mestres-salas que são os coordenadores da festa. São pessoas que têm uma tradição secular trabalhando na organização, nos bastidores da festa, e se tornando, também, segundo Jedson Coelho, um dos personagens principais da manifestação cultural.

Festa tradicional

No Maranhão, segundo historiadores, o culto ao Divino Espírito Santo teve início com os colonos açorianos, portugueses e seus descendentes, que desde o início do século XVII chegaram para povoar a região. A partir de meados do século XIX, a tradição da Festa do Divino começou a ser enraizada entre a população da cidade de Alcântara, de onde se espalhou para o resto do Maranhão, tornando-se muito popular entre as diversas camadas da sociedade, especialmente as mais pobres.

Entre os elementos mais importantes da Festa do Divino estão as caixeiras, senhoras devotas com o encargo de tocar caixas e entoar cânticos, repetidos de forma memorizada ou improvisados, em louvor ao Divino Espírito Santo, acompanhando todas as etapas da cerimônia.