14/04/2024

Os erros e acertos do Carnaval de São Luís que ficam de lição para 2025, 2026, 2027…

Por Diego Emir ——

Acabou o carnaval de São Luís. Que não necessariamente pode ter sido o melhor, afinal essa qualificação é muito subjetiva de acordo com o que cada um viveu, vive ou cria expectativas. A festa de 2024 teve o maior investimento da história e mesmo sem transparência é possível afirmar isso, afinal grandes foram os artistas que passaram pela Ilha, literalmente, uma vez que muito só pousaram foram ao trio e palco, para depois decolar. E após cinco dias de festa é possível listar erros e acertos da maior festa popular do país (não de São Luís, aqui é o São João).

Vale lembrar que muitos dos que foram curtir a folia, ficaram com um pensamento na cabeça, será que só esse ano foi assim por conta da disputa eleitoral que se avizinha? A tendência é que não, uma vez que o Governo do Maranhão vem fazendo robustos investimentos desde 2019. Quanto a Prefeitura de São Luís, fica a dúvida, uma vez que foi a primeira vez de uma grande programação. Mas o cenário ideal é que juntos os entes públicos possam fazer uma festa em parceria.

O circuito Litorânea idealizado na gestão de Carlos Brandão, veio para ficar. É um caminho sem volta, tira-lo da programação é retroceder e é o que possui o maior potencial para consolidação de um carnaval forte e atrativo. Além das belas paisagens, não há uma corte concentração residencial na região, não trazendo as consequências naturais de uma festa de grande proporção.

A Beira Mar tem que ser repensada no modelo que foi esse ano, um palco colocado no antigo Espaço Cultural e vários equipamentos como camarote, arquibancada, roda de gigante e outros, prejudicaram a visão, audição e o trânsito de quem foi se divertir. O ideal é manter apenas um circuito com trios elétricos percorrendo a Avenida Beira Mar desde a Praça Maria Aragão e finalizando na Praça dos Catraieiros, que a propósito sentiu falta daquele belo painel divulgando a festa. A exploração melhor desse circuito traria um bom suporte econômico ao Centro Histórico, que vive a baixa temporada entre janeiro e maio.

A Cidade do Carnaval foi uma boa ideia, mas havendo um dialogo entre Governo e Prefeitura, e ocorrendo a decisão que o poder estadual fica com a Litorânea e a Prefeitura com o Centro, a área da Avenida Senador Vitorio Freire perderia sentido, ainda mais por conta das futuras instalações que vão ocorrer em breve, que vão abrigar equipamentos urbanos nas antigas fábricas da Oleama.

Madre Deus, tornou-se um polo atrativo para as famílias, se antes as multidões estavam concentradas por lá, agora virou um espaço em que pode abrigar algo mais atrativo para quem quer uma folia mais light. Não se pode deixar “morrer” o carnaval tradicional, mas cabe sim uma remodelação para deixa-lo vivo e em uma formato mais atrativo.

Camarote privados

Erra quem critica os espaços privados na folia pública. Eles são a garantia de entrada de recursos em uma festa que pode ser autossustentável. A instalação dos Camarotes Ilha e Orla na Avenida Litorânea foi um verdadeiro sucesso e deve permanecer para 2025, assim como amplia-los e leva-los para a Beira Mar. Vale lembrar que em Recife e Salvador, já existem espaços em vias públicas há ano, o que garante a presença do público de alto poder aquisitivo e atrai turistas. Quem acha errado, não precisa ir, pode continuar curtindo a folia no chão ou em casa.

Divulgação da programação

A primeira apresentação do Carnaval de São Luís foi divulgada no dia 2 de janeiro com um mês e 7 dias de antecedência da festa, mas até às vésperas da folia ainda tinha show sendo anunciado. Fazer isso é um erro e o Governo do Maranhão tem insistido de forma sucessiva em todas as edições da Folia de Momo. Se quer atrair turistas, provocar um saldo positivo na economia de forma conjuntural tem que fazer no mínimo como Recife faz ao apresentar a programação completa com três meses de antecedência. Vale lembrar que os camarotes de Salvador, Rio de Janeiro e outros começam a ser vendidos em meados de maio do ano anterior. Do jeito que ocorrido, mostra que é apenas uma festa improvisada e que não consegue atrair turistas.

Falta de patrocínio

Sem querer comparar ao Rio de Janeiro, que garantiu o patrocínio do Carnaval de rua em 2024 desde agosto de 2023 valendo até 2026 ao valor de R$ 38 milhões por ano. Oito marcas contribuíram com esse montante: Brahma (patrocinadora master com o valor de R$26milhões), Zé Delivery, Beats, Guaraná Antarctica, Mercado Pago, iFood, ⁠99 Moto e PixBet. Salvador não foi diferente a Ambev garantiu R$26 milhões em 2024 e o valor será repetido em 2025. No Recife, Petra (Grupo Petrópolis), a Vivo, a Stellantis e a Ambev chegaram próximo ao valor de R$20 milhões.

Em São Luís, a Vale e o Grupo Mateus foram patrocinadores via Lei de Incentivo a Cultura, porém o valor não foi divulgado pelo Governo do Maranhão. A Prefeitura não informou se houve patrocínio.

Periferia deve ser lembrada

A Prefeitura de São Luís investiu em 2023 em um carnaval descentralizada, levando programação a Zona Rural e outras regiões periféricas da capital. Esse ano, se não fosse o bloco realizado pelo vereador Paulo Victor no Jardim América e Cidade Operária, nada poderia ter sido contado fora da região Central e Litorânea da capital. É necessária promover e incentivar circuitos no Cohatrac/Cohab, Coroadinho, Zona Rural etc.

Programação no interior

Muitos prefeitos passaram a reclamar da programação da capital, que atrair o folião do interior e segura a população ludovicense. Isso é um processo natural, cabe cada um, estruturar melhor sua programação. Mas é necessário ter investimentos do Governo Estadual em outras regiões do Maranhão, caso de Barreirinhas com atrativo de turistas, Imperatriz, segunda maior cidade do estado, assim como no leste maranhense envolvendo Codó, Caxias e Timon.

Incentivar a cultura local como atrativo de turistas

O São João do Maranhão atrai tantos turistas, pois muitos querem conhecer o Bumba-Meu-Boi, o mesmo pode acontecer se o poder público investir no Bicho Terra, Jegue Folia, Blocos Tradicionais etc. No carnaval desse ano, ficou claro que a população local em sua maioria não valoriza, mas para atrair o visitante tem que mostrar algo diferente, afinal quem viaja pode assistir em qualquer lugar Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Alok, Claudinha Leitte etc.

Passarela do Samba em datas fora do Carnaval

Os próprios fazedores de cultura admitem que as Escolas de Samba de São Luís copiaram o modelo do Rio de Janeiro. E como a reprodução está longe do original, o carnaval de Passarela, ano após ano está definhando. Seja por brigas internas, conflitos políticos, falta de apoio etc, que acabam levando o desinteresse público. Portanto uma saída é fazer com que vai ocorrer esse ano, colocar os desfiles para uma data após o período oficial de carnaval. Sem concorrência das grandes atrações e diversos circuitos, Favela, Flor, Turma do Quinto, Unidos de Fátima e outras, podem voltar a atrair o público ludovicense.

Proibir a entrada de cooler nos circuitos

A proibição de bebidas em garrafas de vidro foi um acerto da Prefeitura e do Governo, e ao máximo foi cumprida a determinação, incluindo o recolhimento de quem tentou infringir a norma. Porém, o uso de coolers gerou muita reclamação nos circuitos. Ainda mais onde tinha o trio elétrico. Muitas pessoas tropeçaram e se machucaram. No próximo ano, vale uma regulamentação para esse tipo de armazenamento de bebida.