24/02/2024

MESTRE ANTÔNIO VIEIRA: UM FORTE ESPÍRITO DE LUZ

Por Manoel Rubim da Silva, Contador, Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil-Aposentado e Professor no DECCA-UFMA.

O dia 09 de maio de 2020, próximo sábado, marca, o “Calendário Gregoriano”, a data comemorativa ao Centenário do Mestre Antônio Vieira, que nas precisas palavras do saudoso intelectual maranhense, Bernardo Coelho de Almeida, teria sido um “poeta que via poesia, onde outros poetas não viam”.

Porém, sobre ser esse poeta-compositor de reconhecido talento, Mestre Antônio Vieira pode ser considerado como um personagem típico de um ser múltiplo, na forma que venho tentando demonstrar, nos textos que tenho produzido e postado no Facebook, na página intitulada: “Homenagem aos 100 anos do Nascimento de Antônio Vieira”.

 Afinal, o Mestre Antônio Vieira, sem descuidar do seu acentuado lado humanitário, desempenhou, ao longo da sua frutuosa e longa vida –  pois viveu, praticamente, 89 anos – diversas funções, como enfermeiro, atleta, instrutor de educação física, contador, gestor e, creio, o que mais gostava de fazer, poeta-compositor, com o foco da sua poesia e harmonia musical, em diversas vertentes culturais deste país.

Em que pese, somente, depois de se aproximar dos setenta anos ter tido o seu talento poético-musical reconhecido pelo público, neste Estado e no Brasil, desde muito cedo, estimo, nos albores dos anos quarenta e/ou cinquenta, o Mestre Antônio Vieira começou  a compor e fazer parte de grupos musicais, nesta cidade.

Quiçá, embalado pelo sucesso de “Balaio do Guarimã” –  composição do Mestre Vieira, em parceria com o seu grande amigo, Lopes Bogéa, e gravado por Ary Lobo, acredito que no início nos anos 1960 – tenha sido o desabrochar do reconhecimento da fértil produção lítero-musical, do compositor de  “Se tu não quer, tem quem Queira”. 

Mestre Vieira, não tenho dúvidas, foi um dos mais criativos e versáteis compositores brasileiros, somente não tendo sido reconhecimento, como deveria, neste país, e, talvez, no Mundo, mercê das travas do isolacionismo cultural deste Estado.

Afinal, o Maranhão – disse e repito, o que afirmara uma das maiores expressões culturais do Brasil, o maranhense Josué Montello: é um Estado insular. Adiciono: um Estado que não perdoa aqueles que não lhe abandonam, mesmo que não definitivamente, para galgar novos caminhos, que os levem ao reconhecimento, pelo Brasil, dos seus exponenciais talentos.

Em que pese ter sofrido as chagas da insularidade cultural do Maranhão, o Mestre Vieira deixou a marca indelével da sua prodigalidade poético-musical, para o Brasil e para o Mundo, pois visitou e exaltou, aqui e alhures – sem pedir permissão, apresentando, apenas, como credencial, a sua cantoria – os costumes da sua terra, folclorizando, criticando, romantizando e voltando o seu foco poético-musical, para todas as vertentes do que lhe cercava, bem perto, ou mesmo à distância.

Dessa forma, não esqueceu o pouco percebido “Martin-Pescador” e, mais ainda relegada, uma “Canoa Velha”, que para homenagear os primitivos habitantes das Terras dos Timbiras, cognominou de “Igara Velha”, carcomida pelo tempo, pelo salitre e pelo mar, abandonada naquele montículo de areia, que tão bem o “Poeta do Retiro Natal” soube cuidar, pela sua extrema humildade, a par de lembrar-se do “Homem de Nazaré”, que cultuava, sem o fanatismo religioso, imperante no Mundo, desde sempre, ao saudar o nascimento de Jesus, em “Natal  Azul”, exaltando  a magia dos seus vários personagens e dos diversos ritmos, que a “Ilha da Poesia, do Encanto e das Pedras de Cantaria”, ao som dos “Tambores das Minas e das Crioulas”, o embalou e reverenciou.

Lamentavelmente, faltando apenas trinta e dois dias para completar 90 anos de vida, o Mestre Vieira, na manhã de 07 de abril de 2009 – parte do dia que ele se energizava, à vida toda, com exercícios físicos –  seguiu, sem volta, para o espaço cósmico, a que tanto aludia como morada eterna dos espíritos, ele que sempre foi e continuará a ser, também, essencialmente, um grande espírito de luz, encarnado em uma aparente frágil estrutura corporal.

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